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Memória de Santarém: A notícia da morte de Manelito

Lúcio Flávio Pinto - 05/12/2021

Radio Amador Velho 7 Bravo - Créditos: Acervo do CRT-Clube Radioamador do Tapajós

Um cabo subaquático da Western Telegraph ligava Santarém a Belém. Seu uso tinha que ser rápidos, devido ao seu alto custo e por ser limitado a certos horários. Já o rádio amador, apesar das dificuldades de sua propagação, permitia acesso muito mais longo e contínuo, com a possibilidade de conversação, que estava fora do alcance do telegrama.


Por isso que o rádio-amador do comerciante Manoel Gomes de Faria, de origem portuguesa, um dos homens mais ricos do seu tempo, era importante na Santarém da década de 50 do século passado. Em outubro de 1953, ele colocou a estação à disposição dos familiares de Manoel Cornélio Caetano Corrêa Sobrinho, que falecera em Belém no dia 1º daquele mês, “antes e depois do transe doloroso”.


Numa nota na qual agradeceu “a todos os amigos que compareceram ao aeroporto para receber os despojos mortais do seu extremoso esposo e pai”, a família destacou esse auxílio.


Sob a inicial “R”, O Baixo-Amazonas relatou em artigo como foi a reação em Santarém à morte do influente personagem:


“O comércio por dois dias fechou meia porta, os cinemas não funcionaram, a bandeira do São Francisco F. C. (clube que ele tanto amava) e da Associação Comercial foram postas a meio pau, a missa de corpo presente num domingo pelos seus merecimentos, e o enorme acompanhamento ao seu féretro”.
Louva a decisão do morto ilustre de “ser enterrado na cidadezinha onde nasceu, túmulo de seus antepassados e berço de seus filhos”.


Mais conhecido como Manelito, Manoel Corrêa, casado com Solange Campos Corrêa, deixava nove filhos: Ubaldo, Terezinha, Maria de Lourdes, Paulo, Rogério, Carlos, Solange Maria, Raimundo Guilherme, Luiz Antônio, Eduardo Augusto e Manoel Cornélio.


Descendente do barão de Tapajós (o outro nobre local da época do Império era o barão de Santarém), Manelito era filho de Ambrósio Caetano Corrêa e irmão de Ambrósio, Geraldo, José Caetano, Aderbal e Cristina. Uma das estirpes mais notáveis da cidade.

 

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