Violência interno
Pro refis

Pela segunda vez este ano, ex-prefeita Maria do Carmo é condenada por improbidade e fica inelegível; cabe recurso à sentença

Weldon Luciano - 06/12/2018

Pela segunda vez este ano, a ex-prefeita Maria do Carmo Martins recebeu sentença desfavorável em ações de improbidade administrativa. Em setembro, o  juiz federal Érico Rodrigo Freitas, da Vara Descentralizada da Justiça Federal de Santarém, condenou a ex-prefeita e a ex-secretária municipal de educação, Lucineide Pinheiro, à perda dos direitos políticos por três anos e outras sanções como o pagamento de multa. A medida foi em  razão de não prestação de contas de convênio firmado com o Ministério do Esporte. No dia 5 de dezembro de 2018 foi proferida a segunda sentença, desta vez, pelo Juiz Flávio Lauande, da 6ª Vara Cível e empresarial de Santarém, na qual também foram condenados os ex-gestores da Secretaria Municipal de Trânsito (SMT), José Antônio Rocha e Sandro Lopes. Os réus ficam submetidos à suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar como poder público, por conta de uma ação de improbidade administrativa referente a não prestação de contas de convênio firmado com o Departamento de Transito do Pará (Detran) em 2007 para a sinalização de ruas.

No despacho, o juiz substituto da 6ª Vara Cível destacou que a Prefeitura Municipal de Santarém, em 19 de abril de 2007, teria celebrado o Convênio nº 005/2007 com DETRAN-PA, com o repasse de recursos financeiros para a execução de serviços de sinalização gráfica vertical, horizontal e semafórica, com a instalação de equipamentos eletrônicos nas vias do Município com vigência de 24 meses, porém, em 17 de abril de 2009, houve uma prorrogação por mais 12 meses, com término em 18 de abril de 2010. Os recursos para a execução do objeto contratual totalizariam o valor de R$ 6 milhões, sendo R$ 5, 4 milhões repassados pelo DETRAN-PA e, em contrapartida, a Prefeitura Municipal de Santarém repassaria o valor de R$ 600 mil.

A responsabilidade era do ordenador de despesa era Secretário Municipal na época, José Antônio Alves Rocha que contratou o Consórcio Pró Viasul, formado pelas empresas: Pró Sinalização Viária Ltda e Viasul Sinalização Ltda, para prestação de serviços. Foram apenas liberados repasses que somam a quantia de R$ 651.856 e os serviços foram parcialmente executados. Na época, a 1ª demandada Maria do Carmo Martins Lima, gestora da Prefeitura, dentro do seu mandato que encerrou em 31 de dezembro de 2012, não apresentou a devida prestação de contas do Convênio. Não há qualquer documentação que comprove a prestação de contas dos serviços realizados e recursos utilizados no Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE) durante 2009 e 2012, quando Sandro Lopes esteve à frente da pasta.

Para Flávio Lauande, os requeridos em nenhum momento aduziram que as contas foram prestadas. Apenas tentaram juridicamente se esquivar de sua responsabilidade. Bastaria a prova de que prestaram as contas para que suas teses defensivas fossem acatadas. Como pena, foi fixada a suspensão dos direitos políticos por 5 anos pela reprovabilidade da conduta e dos sérios prejuízos ocasionados ao Município, decorrente da não prestação de contas. Diante da omissão demonstrada, a multa foi estabelecida em cem vezes o valor da remuneração percebida na época em que os requeridos exerciam as funções de Prefeita e Secretários de Transportes, bem como a proibição  pelo prazo de 3 anos, de contratar com o Poder Público ou por qualquer meio, receber deste, direta ou indiretamente, benefícios fiscais e creditícios.


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