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Sensação de calor em Santarém varia de 35 a 39 graus até novembro

Sílvia Vieira, Repórter de O Estado do Tapajós - 20/08/2015

Professor João Feitosa, da UFOPA: previsão de muito calor durante três meses -

Até para quem está acostumado ao calor, a temperatura elevada em Santarém tem sido alvo de reclamações. E os estudos meteorológico indicam que a temperatura pode subir ainda mais até o início de novembro deste ano. Historicamente, agosto, setembro e outubro, são meses com temperatura bem elevada em toda a região Norte.

Para quarta-feira (19), estava prevista a temperatura mais quente da semana em Santarém: 37 graus na sombra, e sensação térmica de 39 graus. Para o resto da semana a previsão é de temperaturas mais amenas na casa de 32 a 33 graus, e sensação térmica de 35 graus.

Segundo João Feitosa, professor do curso de Física da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) e doutor em Meteorologia, esse ano há uma tendência de aumento de águas de TSM (Temperatura da Superfície do Mar) no Pacífico Equatorial, cientificamente conhecido como evento ENOS (El Niño Oscilação Sul). “A gente tem acompanhado que a temperatura tem aumentado nessa região. Quando a temperatura aumenta no Oeste, como está agora no Oeste do Pacífico Tropical e no setor central também do Pacífico Tropical, a tendência também é que a temperatura aqui nessa região aumente. É bom registrar que poderemos ter temperaturas, especialmente nos meses de setembro e outubro, bem maiores que nos anos anteriores”, explicou.

Feitosa disse à reportagem de O Estado do Tapajós que por todas as análises que estão sendo feitas a expectativa é que esse ano o El Niño seja maior em termos de configuração (de moderado chegando possivelmente a um nível mais forte), o que agrava a situação da temperatura na região como um todo, com exceção da área extrema do Norte, como é o caso de Macapá, onde a temperatura está mais amena com possibilidade até de chuva. Mas nessa região a Oeste e Central do Estado do Pará, a tendência de precipitação é baixíssima.

“Às vezes, se a gente somar os meses de agosto, setembro e outubro não dá 100mm de chuva. Há chuvas na ordem de 30 a no máximo 40mm por mês, o que é muito pouco para essa região. A tendência é que tenhamos uma temperatura bem elevada até o início de novembro, que é um mês de transição”, informou.

De acordo com o professor Feitosa, algumas medidas podem minimizar o desconforto térmico, como, por exemplo, usar roupas de tecidos leves em cores claras; abrir as janelas para ajudar a renovar o ar dentro dos ambientes; utilizar cores claras nas paredes dos interiores das casas; plantar mais árvores na cidade porque a arborização das vias públicas é pequena; e, não consumir alimentos de difícil digestão.

Tempo abafado

Há dias com presença de muitas nuvens no céu, que embora com o sol encoberto as pessoas têm a sensação de que o tempo está abafado. Isso é causado pela emissão e remissão de radiação, segundo o professor Feitosa.

“A radiação tem faixas de comprimento de onda. Imagine uma régua e a radiação soar tem faixas de radiação. A nuvem é composta 90% por água e tem uma característica muito particular, que absorve a radiação em diferentes faixas. Por isso que quando nós temos um dia com bastante nebulosidade essa radiação incide na nuvem, passa por ela e chega até a superfície. Quando chega à superfície ela reemite essa radiação e se encontra com a nuvem e a nuvem reemite, por sua vez, essa radiação. Ou seja, fica tendo uma emissão e remissão dessa radiação e isso faz com que se tenha um aumento de temperatura entre a nuvem e a superfície onde nós vivemos, causando um desconforto térmico”, relatou.

Feitosa explica que a intensidade da radiação depende de uma série de fatores, como, por exemplo, se a cidade tem mais solo descoberto ou mais calçamento asfáltico. “Nós temos uma umidade muito grande aqui na região e isso faz com que a gente tenha uma sensação de clima abafado, como se a gente estivesse dentro de uma panela de pressão”, concluiu.




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