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Condenada mulher enciumada que tentou matar família de rival com bolo envenenado

Jota Ninos, do Fórum de Santarém - 25/07/2014

Depois de 17 horas de sessão, o Júri Popular da 10ª Vara Penal selou, nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (25/07), o destino de uma mulher enciumada: Joelma Batista de Sousa, 35 anos, mãe de oito filhos que quase matou nove crianças e adolescentes da comunidade do Tipizal ao enviar no dia 01/12/2008, de presente, um bolo envenenado com raticida, acabou condenada por maioria de votos dos 7 jurados. 
 
O juiz Gérson Marra Gomes aplicou inicialmente uma pena de 8 anos por cada um dos 9 crimes, entretanto, como houve o concurso formal dos crimes previsto no artigo 70 do CPBfoi aplicada apenas uma das penas, acrescida de mais 1/6, aumentando para 9 anos e 4 meses de reclusão.  Dessa pena será descontado o tempo em que a ré já ficou presa (1 ano e seis meses), o que dará à ré o direito de cumprir a pena emregime semiaberto. Tanto o defensor público Vinícius Toledo, quanto a promotora Sabrina Kalume. anunciaram que vão recorrer da sentença.
 
Confete de Chumbinho - A maioria das vítimas pertencia à família do agricultor Nelson Pereira da Silva. O bolo de chocolate confeitado de Chumbinho (veneno para rato) foi destinado à jovem Diana Sousa da Silva, à época com 15 anos, filha de Nelson. Joelma nutria por ela um ciúme doentio por acreditar que esta teria um caso com seu companheiro Manoel Erivaldo dos Santos, que era primo distante da jovem e que vivia passeando em sua casa.

À época, além de Diana, foram envenenados com o bolo  seus irmãos Cleidiane Sousa da Silva (10 anos) e Edinelson Sousa da Silva (8 anos) e a filha de Diana, Kletlelem Kailane da Silva, que tinha apenas um ano de idade. Outros adolescentes da vizinhança também foram convidados a comer do bolo macabro: Francisca Marliane dos Santos (17), Lana Paula Coelho Pereira (16), Antonia Michele dos Santos Pimentel (14), Jaiane da Silva Carvalho (14) e Maria de Jesus Silva Carvalho (de apenas 6 anos).  

Debates - A sessão começou na manhã de quinta-feira (24/07) e tinha a previsão de ser realizada em dois dias, mas das 9 vítimas previstas, apenas 6 compareceram e foram ouvidas e das 6 testemunhas, apenas 4 compareceram e falaram. O defensor público não fez muitas perguntas às testemunhas e recomendou à ré que usasse de seu direito constitucional de permanecer calada. Dessa forma, o juiz Gerson Marra Gomes não precisou iniciar seu interrogatório.
 
O MP começou mostrando um dos vídeos de reportagens constantes no processo onde Joelma confessa o crime e se diz arrependida. Nessa entrevista, Joelma confirmou que tinha, à época, 7 filhos e que andava com o raticida (chumbinho) na bolsa para que eles não tivessem acesso ao veneno, e com raiva das informações sobre um suposto caso de seu marido com a jovem Diana, resolveu comprar o bolo na antiga padaria Lucy (na avenida Tapajós) e antes de ser embalado, jogou o chumbinho sobre a cobertura de chocolate do bolo. Contratou um mototaxista que levou o bolo junto com sua esposa à comunidade de Tipizal.
 
O Tribunal do Júri volta a atuar na próxima terça-feira.




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