Verão julho

Polícia não se pronuncia oficialmente sobre necessidade de abertura de inquérito correlato à investigação da morte do vereador Aguinaldo Promissória

Portal OESTADONET - 10/01/2024

A engenheira Isabela Ataíde Lira, então namorada do vereador Aguinaldo Promissória, foi arrolada como testemunha, inicialmente, pelo delegado Fábio Amaral Barbosa, que preside o inquérito da morte do parlamentar, ocorrida no dia 25 de setembro de 2023. A investigação tramita na 2ª Vara Criminal, sob a alegação que não estariam caracterizados crimes dolosos contra a vida, que são de competência 3ª Vara Criminal da Comarca de Santarém.

 

Mas alguns fatos ocorridos antes, durante e depois da morte de Agnaldo Promissória, pelo menos oficialmente, ainda não seriam alvos de apuração pela autoridade policial.

 

No próximo dia 25, completa quatro meses da morte de Aguinaldo Promissória e a Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito policial que determina se foi suicídio ou homicídio. O ex-vereador morreu com um tiro na cabeça disparado, segundo o laudo do CPC, por ele mesmo, no dia 25 de setembro do ano passado, em sua residência, no bairro Aeroporto Velho, em Santarém, no oeste do Pará.

 

No quarto onde Aguinaldo teria tirado a própria vida, estava a namorada dele, a engenheira Isabela Ataíde. Na época, após prestar depoimento ao delegado Fábio Amaral Barbosa, ela afirmou que o ex-vereador foi quem atirou contra a cabeça. Apesar dos laudos, depoimentos já colhidos pela polícia, o inquérito segue inconcluso.

 

Passado todo esse tempo, há duas semanas, Isabela compartilhou uma sequência de vídeos em suas redes sociais, mostrando duas pessoas no local da morte do vereador. Uma dessas pessoas seria Wilkson do Rego Figueredo Teles de Sousa, conhecido como Wil ‘Jóias’, que aparece nas imagens agredindo Isabela e apontando, o que ela afirma ser, a arma usada por Aguinaldo no dia da sua morte.

 

Tais cenas, poderiam, em tese, configurar uma suposta tentativa de homicídio por parte do amigo de Agnaldo. Nesse caso, Isabela seria a suposta vítima. Mas não há informação se a polícia já abriu investigação conexa ao inquérito já existente. O Portal OESTADONET consultou o sistema do TJPA, e não consta um segundo inquérito ou inquérito conexo em desfavor de Wilkson do Rego Figueredo Teles de Sousa.

 

Causa, também, estranheza o fato do inquérito que apura eventual crime doloso contra vida ter sido endereçado a outra vara criminal que não a terceira, que possui competência exclusiva sobre a matéria.

 

A engenheira fez várias acusações tanto contra Wil como contra a filha de Aguinaldo. Por determinação da Justiça, Isabela apagou as publicações sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil.

 

A polícia não se pronunciou, pelo menos oficialmente, sobre a necessidade de instaurar um segundo inquérito policial para apurar as acusações feitas por Isabela sobre a presença de pessoas no quarto onde Aguinaldo morreu. As imagens mostram claramente essas pessoas no imóvel, ou seja, houve violação do local da morte sob investigação.

 

Isabela Ataíde Lira era namorada do vereador Aguinaldo Promissória. Ela estava com ele no dia em que ele foi morto. Nos vídeos compartilhados por ela, antes de serem removidos por ordem judicial, mostram dois momentos: um em que Isabela tenta deixar o imóvel, mas é impedida por uma segurança do vereador e outro, já após a morte de Aguinaldo, onde Wilkson do Rego Figueredo Teles de Sousa, aparece agredindo a jovem com socos e chutes, além de ameaçar disparar contra Isabela. Uma segunda mulher aparece no vídeo também agredindo a jovem.

 

Em um dos vídeos compartilhado por ela, mostra Isabela caindo para fora da suíte onde Aguinaldo se matou. Ela se arrasta para fora do cômodo com a roupa suja de sangue. Na sequência, aparece uma mulher agredindo-a com um soco na cabeça. Neste momento, chega Will 'Jóias'. Ele dá um violento chute em Isabela e vários socos. A outra mulher aparece com as mãos na cabeça chorando, enquanto Wil segue agredindo Isabela com mais chutes. A jovem não reage.

 

Isabela se levanta, tenta ir para a cozinha, mas é impedida por Will. Ele está ao telefone e em seguida volta a desferir outro golpe na jovem.

 

Isabela tenta retornar ao quarto, mas é impedida por Will, que a empurra e entra na suíte. Ele volta de lá armado, enquanto Isabela corre para o outro cômodo do imóvel.

 

Wiil aponta algo em direção à Isabela e é seguido pela mulher.

 

Isabela contou que no dia da morte do vereador, ela não queria entrar no quarto, pois não queria contato com o Aguinaldo.

 

A versão de que ela não queria ficar no quarto é confirmada por outro vídeo que a jovem compartilhou. Ela entra, mas depois tenta sair. É quando aparece um homem, que seria segurança do vereador, e tenta colocá-la de volta para o quarto, onde está Aguinaldo.

 

"Ele não me deixava sair da casa. Eu pedia pra ir embora. (...) Quem me conhece sabe que eu não minto e jamais mentiria nessas situações. O Aguinaldo foi e é o grande amor da minha vida. Só Deus sabe o que eu passei, o tanto que sofri e lutei, mas a verdade e a justiça de Deus nunca falham".

 

O laudo divulgado pela Polícia Científica do Pará, Regional do Oeste do Pará, assinado pelos peritos Diana Moraes e Giuseppe Tandredi, mostra a dinâmica do local de crime e confirma Aguinaldo Promissória foi quem atirou contra a própria cabeça. Ele usou uma pistola Springfield, calibre 9 milímetros, fabricada na Croácia, modelo XD-M Eliete.

 

De acordo com os peritos, o local do crime apresentava um cenário ‘inidôneo’. Em outras palavras, foi alterado após a morte de Aguinaldo.

 

O delegado Fábio Amaral Barbosa preside o inquérito ainda não se manifestou sobre os vídeos divulgados por Isabela sobre as acusações de agressão, ameaça e intimidação sofrida por ela no dia em que vereador morreu.

 

O espaço está aberto à manifestação do delegado Fábio Amaral. Se houver, será incorporada a este texto.




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