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Sucateamento de rede e falta de investimentos da Cosanpa estão por trás do transtorno da falta de água em Santarém

Weldon Luciano - 15/05/2019

Santarém vive o pesadelo de não conseguir fazer com que água encanada chegue nas torneiras da população. Cabe a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) a concessão para a prestação do serviço, mas nem mesmo o porte de uma empresa estatal é capaz de driblar incapacidade de suprir a demanda.

 

São diversos pontos que sofrem com o desabastecimento atribuído a uma rede de distribuição que não contempla todos os setores e que sofre com o sucateamento de rede e falta de investimentos. O Portal OESTADONET tentou o contato com o diretor da Cosanpa em Santarém, mas fomos informados de que ele não estava.

 

Segundo o setor de operação da Cosanpa, Santarém possui 37 mil unidades consumidoras de água. Aproximadamente 65% da área urbana é abastecida pelo Complexo Irurá, localizado às margens da BR-163. A rede recebe o apoio do Sistema Bacabal que cobre os bairros Nova Vitória, Maracanã I e Maracanã II, Novo Horizonte e parte do Santarenzinho. Pontos específicos possuem poços isolados. No setor sul da cidade, o único bairro que recebe o serviço é a Nova República. Santo André, Maicá, Jutaí, Urumari, Área Verde e outros utilizam microssistemas próprios.  

 

“A Cosanpa conta com 20 poços ativos. A manobra de abastecimento segue o procedimento de alternar o fornecimento a cada 12 horas. Bairros localizados em partes mais baixas recebem água durante 12 horas. Em seguida, nas outras 12 horas do dia, o fluxo é direcionado para garantir o fornecimento das partes mais altas”, ressalta Ivan Silva, coordenador técnico do setor.

 

Pontos críticos

 

Os pontos mais críticos da rede são aqueles em que ainda possuem tubulações de cimento amianto. Além de ser um material que não é mais adequado para este fim, os canos instalados há mais de 40 anos já não suportam mais a pressão da água necessária para que ela chegue aos domicílios e por isso se rompem.

 

Santarém ainda possui mais de 8 km de rede com este tipo de tubulação e os pontos em que mais ocorrem interrupções por este motivo são os que estão localizados na Avenida Marajoara, Avenida Borges Leal, Rua Silvério Sirotheau e a Avenida Frei Vicente, onde houve um rompimento durante o fim de semana. A Cosanpa alega que só foi possível acionar uma equipe para realizar o reparo na segunda-feira, o que justificaria os dois dias sem água no perímetro.

 

Segundo apurou a reportagem, a centralização das decisões na capital do estado também pode ser encarada como um dos fatores que atrapalham. Ainda não há autonomia para que as unidades do interior possam gerir seus recursos. Isso reflete diretamente na demora da companhia em conseguir recursos ou peças de manutenção, por exemplo, para efetuar reparos nos sistemas. Isso reflete diretamente no tempo de regularização do fornecimento. Até que os insumos cheguem de Belém já se passaram semanas e a população fica desassistida.    

        

Projetos de ampliação e melhorias

 

Entre os muitos projetos de ampliação a Cosanpa prevê de imediato a ampliação de 20 para 26 poços ativos. No Complexo Irurá, onde hoje existem 6 poços, a previsão é que nos próximos anos possam ser 10 funcionando, o que aumentaria em 40% a capacidade de captação e distribuição. Ainda não há previsão para que esses projetos sejam executados. Toda a tubulação de cimento amianto também deve ser trocada, evitando os rompimentos.  

 

“A gente aguarda a ampliação dos sistema. O Complexo Irurá trabalha com 6 poços, mas o ideal seria ele atuar com os 10 que estão previstos no plano de expansão. A vazão produzida ainda não é suficiente e quando esses projetos saírem do papel a gente vai poder fornecer água para todos os setores”, conclui Ivan. 


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