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Revista Aventuras na História aborda comunidades populosas antes dos europeus e Santarém como uma das cidades mais antigas da Amazônia

Weldon Luciano - 10/05/2019

Muiraquitã, amuleto das índias guerreiras do vale do rio Amazonas -

Em matéria publicada nesta quarta-feira, 8 de maio, a revista Aventuras na História abordou a existência de comunidades populosas antes da europeus e Santarém como uma das cidades mais antigas da Amazônia. De acordo com a publicação, além da Perola do Tapajós, a ilha do Marajó e a região do Alto Xingu teriam comunidades tão populosas quanto pólis gregas e vilas medievais. Confira a matéria completa aqui. 

 

Segundo a matéria, a partir de estudos arqueológicos, é possível escrever uma nova deixando de lado a teoria de que a região passou a ser habitada somente após a colonização europeia. Antes mesmo da Era dos Descobrimentos nos séculos 15 e 16, por aqui já se tinha um grande crescimento demográfico e a intensificação da atividade agrícola. Santarém era um núcleo urbano complexo e os famosos muiraquitã já eram marca registrada.

 

 

“Subindo o rio, nas regiões das atuais Santarém (mais a leste) e Manaus (mais a oeste), os últimos séculos antes da chegada dos europeus viram um grande crescimento demográfico, a intensificação da atividade agrícola e, principalmente, o uso dos ricos recursos pesqueiros amazônicos. Santarém, em particular, tinha “complexidade e escala urbanas”, segundo a arqueóloga norte-americana Anna Roosevelt, da Universidade de Chicago. Seriam 15 quilômetros quadrados de área construída, com a produção intensiva de cerâmica ritual e dos famosos muiraquitãs, amuletos de pedra semipreciosa esverdeada (muitas vezes no formato de anfíbios), que circulavam por boa parte da América do Sul e até pelo Caribe como objetos de alto valor – em comparação ruim, como se fossem iPhones mágicos”.

 

Ilha do Marajó e Alto Xingu

 

A matéria cita também a existência de populações que viveram na Ilha do Marajó de 400 a 1400 d.C. A partir do ano 500, os moradores desenvolveram um sistema de construção de mounds (montes de terra conhecidos por lá como “tesos”) e de represas que lhes permitia escapar enxutos à fase das cheias, de janeiro a junho, e controlar o suprimento de peixes que saíam do curso normal dos rios para desovar durante a inundação.

 

Dados de satélite mostram estruturas cuidadosamente planejadas ordenando a antiga paisagem do Alto Xingu. Esses grandes povoados contavam ainda com muralhas de toras de madeira, controlavam o cultivo de grandes lavouras de mandioca e pomares de pequi e, tal como em outros lugares da Amazônia, lagoas artificiais para a prática da piscicultura e a criação de tartarugas, cobiçadas por sua carne e seus ovos.


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