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O que fará o COAF?

Lúcio Flávio Pinto - 11/03/2019

Érika Marena, ex-delegada da Polícia Federal e uma das principais integrantes do grupo de investigação da Operação Lava-Jato em Curitiba, “é tecnicamente qualificada para o cargo” de conselheira no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), para o qual foi nomeada pelo ministro Sérgio Moro.

 

Foi o que “advogados” disseram à jornalista Maria Cristina Frias, colunista e uma das donas da Folha de S. Paulo, “Mas o fato de ser oriunda da Polícia Federal sinaliza que o órgão poderá virar um braço na polícia, nas palavras de um criminalista de um grande escritório”.

 

A jornalista não dá os nomes nem faz qualquer referência sobre o que fazem essas suas fontes de informação, que endossa: A nomeação de “indica que o órgão passará por mudanças, de acordo com tributaristas que conhecem a autarquia”, escreveu ela, mantendo também esses tributaristas no anonimato.

 

Corroboraria essa interpretação o fato de Moro ter nomeado a delegada para ocupar o posto que foi de Camila Colares Bezerra, da Controladoria-Geral da União.

 

A jornalista não diz, mas a substituição pode ter sido para que o ministro da Justiça coloque no posto uma pessoa da sua confiança e a ele subordinada, por dirigir um departamento do ministério da justiça (e agora, também, da Segurança Pública).  Mas com “experiência reconhecida na recuperação de ativos e investigação de crimes financeiros”, segundo nota do ministério.

 

Frias lembra que o Coaf “foi o órgão que detectou movimentação bancária atípica de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em seu mandato como deputado estadual.

 

“O Coaf não precisa de autorização judicial para analisar movimentação financeira. Até o governo Temer, era vinculado à Fazenda”, complementando com a informação de uma ainda anônima “tributarista”, de que a possibilidade de o órgão passar a investigar “pode diminuir sua capacidade para produzir relatórios de inteligência”.

 

Por enquanto especulações, a serem confirmadas ou desmentidas pelo que Érika Marena fará, as consequências dos seus atos e a posição que assumirá o seu chefe, o ministro Sérgio Moro, se ele não for pressionado para “desconvidá-la” e o que fará nessa eventualidade.

 

Cristina se refere rapidamente ao que poderia ser considerado como uma precipitação e um erro da ex-delegada, que pediu a prisão de Luiz Carlos Cancellier, então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. Acusado de corrupção, ele se suicidou em 2017. A acusação não foi provada.


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