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Em dezembro, já choveu mais que o dobro da média prevista para o mês em Santarém

Weldon Luciano - 05/12/2018

Estragos causados pelas chuvas no sistema viário de Santarém. Imagen: TV Tapajós -

A chuva não deu trégua no mês de dezembro em Santarém, oeste do Pará. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) registrou 205,2 mm entre os dias 1 e 4 de dezembro. A média de chuvas para este mês é de aproximadamente 100 mm, ou seja, nos quatro primeiros dias do mês choveu o dobro do esperado para os 30 dias do período. A causa mais provável para o fato, estaria relacionado com a junção de três sistemas meteorológicos atuando simultaneamente na região: a Alta da Bolívia, Zona de Convergência Intertropical e a Zona de Umidade que vem do Nordeste.

 

“Nos últimos dias Santarém sofreu a influência de três sistemas meteorológicos atuando próximo da nossa região. O primeiro deles é a Alta da Bolívia, que tem ventos em altos níveis da troposfera que gira no sentido anti-horário e dentro da borda dele, ele consegue fazer com que o ar suba e desenvolva nuvens que causam precipitação. Na segunda parte, temos a Zona de Convergência Intertropical que fica mais posicionada dentro do hemisfério de verão, porém, dentro dos últimos dias, um pulso dela está posicionado sobre o litoral brasileiro causando a proximidade desta área de nebulosidade. Em conjunto temos a de conversão de umidade que que está convergindo a umidade da Amazônia em direção a uma frente fria que está posicionada no sul da Bahia. A soma destes três sistemas meteorológicos vem causando a essa grande quantidade de em Santarém”, diz Lucas Peres, coordenador do curso de Ciências da Atmosféricas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

 

A atual situação de chuvas intensas deve permanecer para os próximos três dias. Até o momento, segundo o monitoramento climático, ainda não é possível apontar se a região sofrerá algum efeito dos fenômenos do La Niña ou do El Niño, que estão relacionados com o resfriamento ou o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, respectivamente, e causam alterações climáticas em todo o mundo.  

 

Influencia na subida do nível dos rios

 

Afluente da margem direita do Rio Amazonas, o rio Tapajós tem sua cabeceira localizada no estado do Mato Grosso, na confluência entre os rios Teles Pires e Juruena. A região também tem sofrido a influência da junção dos sistemas, mais precisamente pela Alta da Bolívia. A intensidade de chuvas pode ocasionar o aumento do nível do rio. Vale lembrar que, conforme matéria publicada pelo Portol ESTADONET, o Rio Tapajós subiu meio metro nos últimos 16 dias de novembro e em dezembro já supera a marca dos 2 metros.

 

“O nível dos rios é um fator que independe das chuvas no local. Ele depende mais das chuvas na cabeceira do rio Amazonas e dos rios que compõe sua bacia. Lógico que a intensidade de chuvas no local também influência, mas não é fator predominante. Temos informações de que tem chovido bem na cabeceira dos rios”, conclui Lucas Peres.  


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