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Terapia e renda: conheça o projeto mãos que criam arte e geram renda do CAPS em Santarém

Weldon Luciano - 03/12/2018

Coordenadora do CAPS com mulheres assistidas pelo programa e os produtos confeccionados durante terapia com artesanato -

A experiência de juntar terapia e renda vem sendo desenvolvida pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) de Santarém, oeste do Pará, há dois anos. A partir das oficinas terapêuticas com o grupo de usuários portadores de algum sofrimento psíquico foi possível unir o útil ao agradável. As atividades fortaleceram os resultados dos tratamentos e ainda puderam gerar renda aproveitando o potencial artístico de cada paciente. Uma exposição com materiais produzidos está sendo feita no Fórum de Santarém: são bonecas, tapetes, bolsas, guardanapos e outros tipos de produtos artesanais fazem parte do acervo, que pode ser adquirido pelos visitantes.  

“São pacientes que estão em tratamento que estão sem surto, equilibrados para que possam atuar de forma produtiva, e gerar alguma renda. Todas as pessoas devem trabalhar dentro das oficinas terapêuticas. O objetivo principal é ocupacional, pois a maior parte deles não possuem uma ocupação e isso vem sendo desenvolvido como uma forma de auxiliar no tratamento e completar sua renda familiar”, diz Maria Tarcísia Chaves, nutricionista e coordenadora do programa.

Segundo a coordenação, o trabalho se baseia no processo coletivo de troca de experiências de práticas manuais priorizando a reciclagem de materiais descartados pela sociedade, contribuindo com a consciência ecológica, dando outra destinação para aquilo que seria destinado ao lixo. Outras oficinas também são desenvolvidas com a produção de doces e salgados, aonde os usuários recebem qualificação para produção e venda de iguarias.

A coordenação ressalta ainda que os usuários que participam melhoram o estado emocional, a afetividade, o relacionamento familiar. Do ponto de vista do tratamento, as atividades ajudam a diminuir a quantidade do uso de psicotrópicos.

 

Ivanilda e Silvia: artesanato como terapia contra pânico e depressão

 

Silvia Souza foi diagnosticada com síndrome do pânico e passou por tratamento durante cinco anos e hoje, o artesanato que aprendeu a fazer traz o sustento da família. “Para mim foi muito bom, pois a oportunidade apareceu em um momento difícil de saúde que eu estava passando. Funcionou como terapia e hoje o que ganho com o artesanato me ajuda a sustentar minha casa. Mesmo já estando de alta, eu sigo com as atividades como voluntária. Tudo o que aprendi eu repasso para os demais”, diz a participante.

Ivanice de Jesus, está em tratamento há 10 anos contra a depressão. Superar a doença tem sido um desafio e o artesanato tem sido um grande aliado. “Tem sido muito gratificante, porque além de ocupar a minha mente, a confecção dos produtos traz algum retorno financeiro. Gosto muito de costurar e fazer as bonecas me dá muita alegria, melhorou bastante a minha vida”, conclui.

CAPS II em Santarém  

De 2005 até 2018 mais de 6 mil pacientes foram atendidos pelo CAPS II em Santarém. Atualmente, estão em tratamento 2500 e em torno de 25 deles participam das oficinas. Os CAPS são instituições que acolhem pacientes com transtornos mentais e oferecem atendimento médico e psicossocial. Há a possibilidade de reclassificação do espaço para CAPS III, o que permitirá seu funcionamento 24h, ampliando o atendimento em saúde mental.


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