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Círio 100: Paróquia da Conceição tenta retomar tradição do leilão de gado e estima número recorde de animais este ano

Weldon Luciano - 01/12/2018

Padre Walter, pároco da Matriz; chegada da santa à área do arraial, em 1978( foto: Sidney Canto) e advogada Geovanna Valle ( foto: O Impacto ) -

Tradição na programação da festa de Nossa Senhora da Conceição, o leilão de animais durante muito tempo mobilizou fieis e produtores rurais na doação de exemplares que eram vendidos para angariar fundos para a Diocese de Santarém pagar os custos das festividades e ainda fazer um caixa para o restante do ano. Ao logo do tempo, a mobilização foi perdendo força. Por isso, há uma tentativa da Diocese em recuperar essa tradição, abrindo espaço para um número maior de pessoas e reaproximando as atividades sociais da população em geral. Em 2018, o leilão ocorrerá nas dependências do Sindicato Rural de Santarém (Sirsan), no Sábado, 8 de dezembro, na manhã do último dia de festividades.

Conversando com as pessoas que participavam da festa, muitos relatam que o leilão teria sido considerado como algo externo a festa, principalmente pela mudança de local, uma vez que atualmente ele está sendo realizado do Tatersal do Sirsan, distante da praça da Matriz, aonde ocorrem a maioria dos eventos relacionados à festa. O leilão que era algo mais simples, com mais participação popular, na praia em frente à catedral, acabou ganhando status mais profissional, afastando pequenos produtores que doavam algum animal por pagamento de promessas, por exemplo.

Para a advogada e integrante do grupo de vigília, Geovanna Valle, as doações de animais e leilão em anos anteriores eram maiores e mobilizava um número maior de pessoas. Ela recorda que pessoas como Demetrinho Nicolau e Enio Sirotheau eram grandes entusiastas do leilão e que aos poucos, a tradição se perdeu entre os fiéis.

“A gente percebe que com o passar do tempo a festa vai tomando outras proporções. Existiam grandes doadores de gado que passavam o ano todo na mobilização para arrecadar esses animais e viabilizavam toda a logística para que no dia do leilão da festa eles estivessem prontos para serem vendidos e o valor revestido para a Diocese”.

Segundo o Padre Walter Imbiriba, desde 2017, há um esforço da Diocese para que a tradição seja retomada. No ano passado foram arrecadados R$ 50 mil com a venda de 20 animais doados. Para 2018, já foram confirmados 60 animais que devem gerar uma arrecadação muito maior. Uma equipe de profissionais experientes, criadores e pessoas que lidam com leilão foi montada e está trabalhando na organização.

“Se perdeu um pouco essa tradição e isso não é fácil de recuperar, mas esperamos que este ano seja melhor com uma quantidade record de animais doados. O foco central são os bovinos, mas tem muita gente que quer doar, mas não tem boi. A alternativa encontrada por eles é doar animais menores como galinhas, patos, porcos, peixes e outros. No ano passado muitos trouxeram esses animais já preparados para consumo o que agradou muito os compradores e a gente então deixa em aberto para a doação de todo o tipo de animal que possa ser vendido ou até mesmo consumido no local, assim como era feito antigamente”, conclui Walter.


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