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Cada produtor rural de soja pode causar devastação de até 500 hectares, aponta Fase Amazônia

Weldon Luciano - 27/11/2018

A Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE Amazônia) aponta que em média, um grande produtor rural que atua o monocultivo de soja pode ser responsável pela degradação ambiental de até 500 hectares na região. O levantamento foi apresentado durante os debates da 2ª semana de combate aos impactos dos agrotóxicos na região do Baixo Amazonas que iniciou na segunda-feira, 26 de novembro e vai até o dia 30 de novembro com atividades em Santarém e outras cidades, como Mojuí dos Campos e Alenquer.

Ainda segundo a FASE, que é uma Organização Não Governamental (ONG) que milita na área ambiental e agrária, a devastação se dá por conta do desmatamento e do uso excessivo de agrotóxicos. A proposta de utilizar apenas áreas já degradas para o plantio não vem sendo seguida e durante o processo de expansão da produção, novas áreas acabam sendo desmatadas e em seguida contaminadas.

“A expansão do monocultivo de soja e o uso de agrotóxicos tem causados grandes impactos de natureza socioambiental e na saúde humana. Um produtor no cultivo de soja não usa apenas um hectare. A questão do desmatamento é algo que aumentou muita na região nos últimos 10 anos. O grande produtor não se contenta em usar só as áreas degradadas e acaba avançando seu negócio por outras áreas que deveriam ser preservadas”, diz Samis Vieira, educador popular do programa Fase Amazônia.

A Fase também aponta, que moradores dos municípios de Belterra e Mojuí dos Campos relatam mudanças significativas nos mananciais. Igarapés que mesmo no período de seca mantinham certa profundidade hoje não conseguem atingir sequer um metro. Um estudo chegou a ser iniciado pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém, mas a escassez de recursos impediu que ele fosse concluído.

Ausência de estudos dificultam ações

Uma das temáticas que nortearam os debates foi a ausência de dados estatísticos que reflitam a realidade local. Estudos que apontem com precisão a quantidade de mananciais afetados, de áreas desmatadas por conta do agronegócio ou o número de pessoas atingidas direta ou indiretamente por estes efeitos não podem ser mensurados com precisão. Muitos deles são levantados a partir do que é coletado junto aos moradores das comunidades e o trabalho das ONG’s.

Há uma articulação para que representantes do setor pesquisas possam tentar suprir esta lacuna, entre eles a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Instituto Evandro Chagas e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A falta de estudos dificulta a elaboração de políticas públicas que tragam soluções, principalmente para o efeito dos agrotóxicos. Sabe-se que eles trazem muitos malefícios à saúde, mas não se sabe mensurar em dados.

O sistema público de saúde apresenta falhas e ainda não consegue contabilizar quantos casos de câncer diagnosticados por ano são relacionados ao uso ou consumo dos agrotóxicos, por exemplo. Por isso, há necessidade de capacitar cada vez mais agentes de Saúde e demais profissionais conforme as normas do Ministério da Saúde para que possam atuar e notificar casos de intoxicação provocados por estes produtos.


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