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Qual será o caminho de Helder Barbalho?

Lúcio Flávio Pinto - 12/11/2018

Hélder Barbalho: uma nova era de mudança no Pará? -

No 2º turno da eleição deste ano, Helder Zahluth Barbalho se tornou o primeiro candidato a governador do Pará a ultrapassar a marca dos dois milhões de votos. Ou, exatamente, 2.068.319 votos. O recorde anterior era de Simão Jatene, na sua segunda eleição, no 2º turno, em 2010 (contra Ana Júlia Carepa, do PT): foram 1.860.789 votos, cinco mil a mais do que a quantidade obtida por Helder no 1º turno deste ano (1.825.708 votos).

Bater recordes e realizar façanhas constituem marcas na carreira do novo governador do Pará. Ele começou na política se elegendo vereador por Ananindeua, em 2000, aos 21 anos. Foi o mais votado no município. Aos 23 anos se tornou o deputado estadual mais votado, com 68 mil votos. Aos 25, venceu em Ananindeua, o segundo maior colégio eleitoral do Estado, como o prefeito mais jovem da história do Pará. Quatro anos depois se reelegeu.

Foi ministro de Dilma Rousseff no seu penúltimo ano na presidência da república, em 2015. Deixou o governo com o impeachment da petista e embarcou por duas vezes no ministério de Michel Temer, do qual se desincompatibilizou para disputar o governo, se elegendo com 39 anos.

Neste posto, seu pai, Jader, que percorreu caminho semelhante, desde vereador de Belém, só se elegeu aos 22 anos. O senador do MDB venceu a eleição para governador mais cedo, em 1982, quando tinha 38 anos.

Sem o pai, é pouco provável que Helder pudesse ostentar o currículo que tem, ou mesmo se tornar político. O talento pessoal que desenvolveu foi se tornando evidente pelo acúmulo de tanta experiência em tão pouco tempo. Mas é inegável que o fio condutor foi tecido e puxado por Jader.

Quando sentiu o risco de perder a liderança na política do Pará, por sua mais prolongada permanência em Brasília, como deputado federal e senador, Jader decidiu restabelecer sua base na eleição para governador de 1998. Foi derrotado pelo governador Almir Gabriel, o primeiro no Pará a se reeleger, graças à criação do seu correligionário, o presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Apesar da vitória de Almir, a política paraense saiu perdendo nesse ano. O vencedor teve apenas 44,54% dos votos no 1º turno. Jader ficou com 36,34% e Ademir Andrade, do PSB, com 17,04%. A soma dos votos nulos, brancos e abstenções chegou a pouco mais de um milhão de votos contra 1,7 milhão de votos válidos.  No 2º turno, a máquina oficial, com o apoio de 10 partidos, prevaleceu sobre Jader, que era o candidato de oposição e só contava com o PMDB e o DEM.

Jader Barbalho deve ter percebido então que a possibilidade de voltar pela terceira vez ao governo do Pará não existia mais. Ele poderia continuar a sua carreira federal, como deputado federal ou, com certa dificuldade, senador. Seu destino parecia semelhante ao do seu ex-adversário e depois aliado Jarbas Passarinho, com grande destaque nacional, mas enfraquecido no Estado.

A solução? Preparar um herdeiro, com o cuidado de lhe dar todo suporte, mas tentar evitar, atenuar ou minimizar o lado intensamente negativo da imagem do pai, associado publicamente a corrupção. Se essa relação foi impossível de apagar, a eleição deste ano parece sugerir que prevaleceu sobre ela o cansaço da maioria do eleitorado paraense com os tucanos, dominadores em 20 dos últimos 24 anos.

Eleito, com votação nominalmente recorde, agora cabe a Helder Barbalho, aos 39 anos, depois de ter sido vereador, deputado estadual, prefeito e ministro (e sofrer uma derrota para governador, em 2014), firmar a sua marca e apagar, por si mesmo, as manchas da sua trajetória para inaugurar de verdade uma era de mudança no Pará. Ou se revelar uma cópia do pai, que continuará a manipulá-lo e a modelá-lo, e desfazer o crédito que o povo lhe repassou.


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