Violência interno
Pro refis

O nó brasileiro

Lúcio Flávio Pinto - 28/10/2018

A Folha de S. Paulo, um dos três maiores jornais brasileiros, tem uma página editorial dedicada a apurar tendências e fomentar debates. Nela, apresenta visões opostas sobre um mesmo tema.
Pela primeira vez, a seção da edição de hoje reproduz apenas a posição do candidato do PT à presidência da república, Fernando Haddad.
No lugar de Jair Bolsonaro, candidato do PSL, quem ocupa o outro lado é o major Olímpio, senador eleito senador por São Paulo, com mais de nove milhões de votos, depois de ter sido deputado estadual e deputado federal. É major reformado e bacharel em direito.
A ausência do próprio Bolsonaro tem uma explicação. Ele diz que a Folha é tendenciosa, faz campanha por Haddad e o hostiliza. Chegou a ameaçar o jornal de cortar as verbas publicitárias do governo federal para o jornal, se vencer a eleição.
Deve ter se recusado a mandar um artigo, provavelmente para caracterizar a parcialidade do jornal. Pode ter evidenciado a própria intolerância e inaptidão para participar de contraditórios, uma ameaça às liberdades públicas.
Sem a palavra do adversário, o debate que a Folha queria oferecer ao seu leitor ficou prejudicado. O major Olímpio não é porta-voz autorizado de Bolsonaro. O que se pode dizer do que ele escreveu e da atitude do candidato do PSL é de que sua eventual vitória exigirá uma atenção redobrada sobre seus atos.
Há uma tendência de que eles se voltem contra a integridade democrática, mesmo na sua versão ainda inacabada, como a que temos, pela ênfase à militarização do poder e ao autoritarismo político.
O artigo de Haddad foi escrito por marqueteiros e ideólogos. O candidato deve ter se limitado a assinar embaixo. Haddad idealiza a si e ao seu partido, abstrai a história que o PT escreveu ao longo de quase 14 anos no comando do Brasil, personifica os mais nobres e legítimos ideais de uma sociedade democrática, reforça as grossas tintas da ameaça bolsonarista, interpretando-a como o primeiro estágio (certo e determinado) para o retorno à ditadura militar iniciada em 1964, com todas as suas violências.
Também procura seduzir o eleitor de credo religioso, apresentando-se como um igual (sem antecedentes que confirmem essa nova imagem), mais patriota do que o capitão da reserva, defensor mais legítimo do país.
Há autenticidade, sinceridade e legitimidade nessa cativante profissão de fé? “Repudio toda e qualquer ditadura. Renovo todos os dias a minha fé na democracia e na liberdade”, proclama Haddad. O que ele fez para denunciar e tentar impedir os atentados contra a democracia e a liberdade na Venezuela, em Cuba, na Coréia do Norte, na China e na Rússia, por exemplo?
Qual a sua intervenção crítica nos quase 14 anos de hegemonia petista, mesmo que no âmbito interno do partido? O que pensa sobre os erros atribuídos às gestões de Lula e Dilma? Endossa tudo que foi realizado? Sua carreira política garante ao eleitor sua autonomia e independência dos nocivos esquemas petistas no poder?
Não há dúvida que a eleição de hoje expressa uma disputa entre a manutenção problemática da democracia, com a vitória de Haddad, e a ameaça latente contra ela, com o triunfo de Bolsonaro, e entre esquerda e direita.
Esse dualismo, contudo, não esgota o enredo da crise brasileira atual. O Brasil experimentou fórmulas e receituários de direita e de esquerda, sem que seus mnais graves problemas tivessem sido solucionados. O agravamento de alguns fez com que o nó político bloqueasse o dinamismo econômico.
O nó, ao que parece, vai se manter.
Seguem-se os dois textos.
FERNANDO HADDAD
Pelo Brasil, pela democracia e pela paz
É preciso impedir que pesadelo se torne realidade
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Sou contra a tortura. Não posso admitir que pessoas sejam fuziladas aqui ou em qualquer lugar do planeta. Não vou fechar o Supremo ou o Congresso nem censurar a imprensa, tampouco prender ou exilar pessoas que pensam diferente de mim, ao contrário das recentes ameaças feitas pelo meu adversário.
Repudio toda e qualquer ditadura. Renovo todos os dias a minha fé na democracia e na liberdade. Respeito todas as crenças religiosas, porque todas que conheço, de uma forma ou de outra, ensinam o mandamento que desde cedo aprendi: "Ama a teu próximo como a ti mesmo". E acho lindas as cores da bandeira do Brasil.
Jamais imaginei que fosse necessário investir parte preciosa deste pequeno espaço que me cabe à declaração do óbvio. Mas a escalada de ódio, que nesta campanha eleitoral atingiu níveis intoleráveis, me obriga a fazê-lo. O que está em jogo é a escolha entre o nosso direito ao futuro ou o retorno a um dos períodos mais sombrios de nosso passado.
Fui ministro da Educação no governo do ex-presidente Lula, investi em todos os níveis de ensino, da creche à pós-graduação. Construí escolas técnicas e novas universidades públicas. Criei o ProUni e o Fies sem Fiador, para jovens que não podiam arcar com as mensalidades das faculdades privadas. Tudo isso fiz sem tirar a vaga de ninguém. Pelo contrário: nunca tantos brasileiros, de todas as cores e classes sociais, tiveram tanto acesso ao ensino superior.
?Fui também prefeito da maior metrópole da América do Sul e governei para todos os paulistanos, com medidas inovadoras e internacionalmente reconhecidas em gestão, mobilidade urbana e respeito aos direitos humanos. Posso e vou fazer muito mais.
Meu adversário, ao contrário, é um político profissional. Nada tenho contra os que fazem da política a sua profissão, mas repudio quem a usa como ferramenta de enriquecimento pessoal e plataforma de disseminação do ódio contra adversários, especialmente mulheres, negros e as minorias.
Ele promete combater a violência armando a população, como se ignorasse o fato de que o Brasil é o país com maior número de mortes por armas de fogo em todo o mundo. São 43 mil mortos a cada ano.
Pessoas que reagiram a um assalto, pessoas que morreram por causa de uma simples briga de trânsito ou uma discussão boba entre vizinhos, além das vítimas de disparos acidentais --inclusive crianças que brincavam com o revólver do pai. Diante dessa realidade, botar mais armas nas mãos dos cidadãos é o mesmo que dizer: "Matem-se uns aos outros".
Algumas das mais controversas propostas de meu adversário, reveladas por ele próprio ou pelo comando de sua campanha, dizem respeito à revogação de direitos trabalhistas históricos, a exemplo do 13º salário, cobrança de mensalidades nas universidades federais e imposição de uma reforma tributária que visa beneficiar o grande capital e penalizar ainda mais a classe média e os mais pobres.
No campo da ética, o que se confirmou, a partir de reportagem publicada por esta Folha, é que sua campanha instalou uma verdadeira fábrica de mentiras, irrigada com dinheiro de caixa 2, para tentar fraudar a eleição com base no disparo em massa de fake news contra mim e minha família.
Por tudo isso, e pelo que o Brasil ainda representa no cenário internacional, o mundo inteiro tem os olhos postos sobre nós, para a escolha que faremos neste domingo nas urnas. Não há espaço nem tempo para indecisões. Isentar-se de tamanho compromisso é abrir mão de todos os nossos avanços civilizatórios e dizer "sim" à barbárie.
Impedir que tal pesadelo se transforme em realidade está ao alcance de nossas mãos, na ponta de nossos dedos. É preciso apertar o 13 e a tecla "confirma". E, a partir desta segunda, trabalhar todos os dias pela pacificação do Brasil e pela construção de um país melhor e mais justo, com crescimento econômico e inclusão social, tendo como alicerces a educação e a geração de empregos.
Bom voto, e um Brasil feliz para todas e todos.
MAJOR OLÍMPIO
OPINIÃO  MAJOR OLIMPIO
E o Brasil vira à direita!
Socialismo toma golpe de misericórdia com Bolsonaro
1
A pauta da segurança pública mudará completamente. Até então, predominaram os chamados "laxistas penais", aqueles que dizem que "já que a pena não recupera, para que a pena?".
Estabeleceu-se o "coitadismo" no Brasil em relação aos criminosos, aos menores infratores que praticam barbáries, matam, estupram e ficam impunes. Eles dão "uma matadinha", praticam um "estuprozinho" e são protegidos por uma legislação complacente com o crime e com o criminoso e por defensores de falsos direitos humanos.
Desarmaram a população civil e empoderaram os criminosos, dando a certeza de que, se não for uma das especificidades do Estatuto do Desarmamento, como policiais militares, juízes ou membros do Ministério Público, podem molestar os cidadãos à vontade sem que sofram nenhum revés.
O crescimento exponencial da eleição em 2018 de militares, policiais militares, bombeiros militares, policiais federais, agentes penitenciários e guardas civis dá a certeza de que a população quer solução na segurança, e não mimimi. Se tiver que chorar, que chore a mãe do bandido.
A direita também representa a esperança do combate e enfrentamento da corrupção. A sociedade tem a exata noção que a administração pública, em todos os Poderes (Executivo, Legislativo e até no Judiciário) está compactuando com a corrupção e desvio do dinheiro público.
A esquerda ocupou seu espaço no Brasil com a bandeira do combate à corrupção, mas decepcionou a população ao manter verdadeiras quadrilhas em todos os setores em que tiveram a oportunidade de atuar.
A Lava Jato foi apenas "uma ação de investigação" que se iniciou na Petrobras. Imaginem quando se abrir a caixa preta do BNDES, das agências reguladoras, dos ministérios e das demais estatais?
Endireitar os rumos, dar o exemplo, resgatar valores, mudar o sentimento da população. A oportunidade será única e, como dizíamos na caserna: "Não podemos alegar que somos calouros ou aspirantes. Teremos que chegar chegando, sendo implacáveis e cortando mesmo na própria carne, quando necessário".
O sonho do "socialismo latino-americano" toma seu golpe de misericórdia com a vitória de Bolsonaro.
?A sociedade espera, ansiosa; a classe política certamente se reciclará; muitos reagirão, mas a consolidação virá com os resultados positivos para a sociedade.
"Sustenta o fogo que a vitória é certa", disse o almirante Barroso na batalha do Riachuelo (1865).
Aprendi a vencer e a perder. A desistir, nunca. Quero gritar com o peito cheio: "Eu amo o meu Brasil".
Quero chorar de emoção cantando o Hino Nacional Brasileiro com a bandeira nacional nas mãos, não apenas nas conquistas esportivas.
Chega de conversa de "no meu tempo de menino era assim...". Meu tempo será hoje e sempre. Quero um Brasil gigante e a população feliz.


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