Violência interno
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Declínio de lideranças e excesso de candidatos favoreceram quem ampliou bases para deputado estadual

Weldon Luciano - 09/10/2018

Júnior Hafe, Hilton Aguiar, Eraldo Pimenta e Ângelo Ferrari são os deputados eleitos pela região Oeste do Pará -

As eleições de 2018, assim como a de 2014 não foi considerada positiva para a representação da região oeste do Pará na Assembleia Legislativa do estado (Alepa). Apenas quatro representantes alcançaram índice para eleição: Hilton Aguiar (Itaituba), Ângelo Ferrari (Oriximiná) e Junior Hage (Prainha) e Eraldo Pimenta (Uruara). Santarém, com 218 mil eleitores, sendo o terceiro maior colégio eleitoral, permanecerá por mais 4 anos sem deputados estaduais. Entre   os fatores para que isto tenha ocorrido, podemos citar o declínio de lideranças políticas e a ascensão de novos candidatos que passaram a disputar votos e consequentemente pulverizá-los.

Antônio Rocha (MDB), Alexandre Von (PSDB), Carlos Martins (PT), José Maria Tapajós (MDB) não conseguiram se eleger apesar de serem lideranças políticas em Santarém, aonde alcançam votações expressivas, mas não conseguem conquistar votos em outras cidades. Cada vez mais, o voto regional tem feito a diferença nas eleições e como no caso dos deputados federais, garantir votos só em seu domicilio eleitoral não assegura mais uma das 41 vagas na Alepa, incluindo votação expressiva também na capital.

A apuração apontou que Antônio Rocha obteve 25.001 votos (0,25%), Alexandre Von 30.419 (0,76%), Carlos Martins 24.976 (0,62%) e José Maria Tapajós 26.286 (0,65%). Em Santarém, estes mesmos candidatos obtiveram 10.319 (6,31%), 23.250 (14,21%), 10.508 (6,42%) e 19.566 (11,96%), respectivamente. Quando são consideradas as votações em outros municípios, a quantidade de votos cai drasticamente.

Alexandre Von, o mais votado de Santarém 23.250 (14,21%) , não ficou sequer entre os cinco mais votados no restante dos outros municípios, obtendo 454 votos em Aveiro, o terceiro mais votado, e apenas 52 votos (0,21%) em Óbidos, 41 votos (0,25%) em Prainha, obtendo a décima-sexta posição em Oriximiná, e em Monte Alegre obtendo menos votos que todos os concorrentes de Santarém.

Antônio Rocha foi o mais votado em Belterra com 1.835 votos (17,18%), mas obteve votações baixas em cidades como Oriximiná com 25 votos (0,08%), 161 votos em Prainha.

Carlos Martins foi o quarto mais votado de Santarém com 10.508 (6,42%), foi o quinto mais votado em Monte Alegre com 1.273 (3,75%) e o quarto mais votado em Prainha com 2.043 votos (12,10) e ficou sem chance de se eleger.

José Maria Tapajós foi o segundo mais votado de Santarém com 19.566 (11,96%) e chegou a ser o segundo mais votado em Mojuí dos Campos com 1.481 (10,73%), mas em cidades como Oriximiná e Óbidos a votação foi tímida ficando em 56 votos (0,18%) e 152 votos (0,60%), respectivamente, inviabilizando a eleição.

Marcela Toletino (Solidariedade) com 19.502 votos (0,49%). Marcela foi a terceira mais votada de Santarém com 13. 476 votos (8,24%) e certamente pode ser apontada como uma candidata que tirou votos das lideranças que estão a mais tempo na política. Ela também obteve boa votação em Monte Alegre com 1.134 votos (3,34%), mas ainda não consolidou votos em Oriximiná e Óbidos, com 43 votos (0,14%) e 87 votos (0,35%), respectivamente.

Alysson Pontes com 22.118 (0,55%) também tem se consolidado como alternativa nas eleições e conseguiu boas votações em cidades como Alenquer com 1.595 (5,42%), Belém 1.064 votos (0,14%) e Mojuí dos Campos 1.006 votos (7,29%), mas em Santarém, aonde é vereador, Alysson não convenceu e ficou bem abaixo do esperado, com apenas 6.328 votos (3,87%).

Outro nome que chamou atenção foi caso do candidato Ludugero JR. Filho do prefeito de Oriximiná, o candidato alcançou a segunda colocação em seu domicílio eleitoral ao obter 9.584 votos (31,37%), sendo o terceiro em Óbidos com 2.338 (9,29). A nova liderança não conseguiu desbancar as mais antigas como Junior Hage e Angelo Ferrari.

Os eleitos, alcançaram expressiva votação em seus respectivos domicílios eleitorais, mas também foram bem fora dele. Junior Hage (PDT) foi eleito com 46.578 (1,16%). Em Prainha, nem mesmo a expressiva votação de João Massamix que ficou em segundo com 2.612 votos (15,62%) conseguiu fazer frente aos 5.271 votos (31,53%). Hage também foi o mais votado em Monte Alegre com 9.281 votos (27,37%) em Óbidos, ele também somou 3.766 votos (14,97%), sendo o segundo mais votado.

Hilton Aguiar (DEM) foi o mais votado em Itaituba com 13.695 votos (28,74%), alcançou 4.978 votos (3,04%) em Santarém e 1.312 (0,17%) votos em Belém, um número de votos maior do que o irmão Chapadinha, que concorreu para federal e não se reelegeu (Chapadinha obteve 1.077 votos na capital).  Por sua vez, Ângelo Ferrari (PTB) foi o mais votado em seu domicilio eleitoral, Oriximiná com 11.550 (37,10%), 1.736 votos (1,06%) em Santarém e 1.103 votos em Belém (0,15%).

Osório Juvenil (MDB) foi o terceiro mais votado em Prainha (2.134 votos),

Eraldo Pimenta (MDB) recebeu mais da metade dos votos em Uruara, onde foi prefeito. Ele foi o quinto mais votado em Itaituba( 4.120 votos), em Santarém recebeu 1.260 votos, e foi o segundo mais votado em Belterra (973 votos). Cilene Couto, reeleita, foi a mais votada em Mojuí dos Campos (1.543 votos).  

Ocorreram casos também de candidatos de menor expressão que conseguiram somar bastante votos em suas cidades. Rosinaldo Cardoso (Patriota) foi o mais votado em Óbidos com 5.941, desbancando candidatos mais fortes como Junior Hage e Ludugero Jr.

Em Alenquer os três mais votados foram da cidade: Mauro Bastos (PSC) com 7.426 (25,25%), Áurea Nina (PC do B) 2.213 (7,52%) e Diva Marques (PSDB) 1.977 (6,72%).  


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