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Preço da gasolina dispara na região e fica entre os mais caros do país

Weldon Luciano - 12/09/2018

O preço da gasolina na região Oeste do Pará disparou e já está entre os mais altos da região norte e consequentemente do Brasil. De acordo com um levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre os dias 26 de agosto e 1º de setembro, o preço médio do litro em Altamira é de R$ 5,17, Alenquer é de R$ 4,94, Santarém é de R$ 4,74 e Itaituba R$ 4,57.

Para efeito de comparação, o preço da gasolina no Acre, um dos que tem o preço mais elevado, o litro pode ser comprado entre R$ 4,94 e R$5,44.  Em São Paulo, nesta semana, o litro da gasolina ultrapassou a barreira dos R$ 5.

De acordo com um levantamento feito pela reportagem do OESTADONET, o preço da gasolina em cidades que não aparecem na pesquisa como Monte Alegre, a gasolina aditivada pode ser encontrada no valor de R$ 5,25. Alenquer também registra preços mais elevados como o de R$ 5,12. Em Santarém, o litro mais barato sai a RS4,69 e o mais alto a R$ 4,83.

Nesta quarta-feira (12), leitores do Portal OESTADONET informaram à reportagem que em Óbidos, o litro da gasolina custa R$ 5,20, em Juruti custa R$ 5,40, e em Parauapebas, no sul do Pará, é vendido a R$ 5,29.

Ainda segundo o levantamento da ANP, Abaetetuba, que tem o preço médio do litro de R$5, 04 apresenta a maior margem de lucro entre os revendedores, que lucram aproximadamente R$ 1 por litro. Em Santarém, a margem de lucro por litro é de 50 centavos e de Itaituba é de 43 centavos.  

A disparada dos valores e dá entre tantos fatores, principalmente, pela mudança de postura da Petrobras. A Petrobras adotou novo formato na política de ajuste de preços em 3 de julho do ano passado. Segundo a nova metodologia, os reajustes acontecem com maior frequência, inclusive diariamente, refletindo as variações do petróleo e derivados no mercado internacional, e também do dólar. Desde o início do formato, o preço da gasolina comercializado nas refinarias acumula alta de cerca de 50%. A variação do dólar e da cotação do petróleo são as principais influências sobre o valor praticado nas refinarias. 

Para o economista Sandro Leão, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a política de preços que o governo implementou na Petrobras praticamente dobrou o valor da gasolina, aumentando mais de R$ 1 por litro nos últimos 12 meses. Isso acaba incidindo sobre o setor do transporte e impacta os consumidores em geral porque a gasolina, que é um derivado do petróleo, é considerada um insumo básico.

“A Petrobras passou a determinar o preço da gasolina pautado no mercado internacional, passou a tratar a gasolina como uma commodity, um produto de valor internacional que passou a acompanhar a mudança dos preços no mercado global. Isso por um lado traz uma eficiência para a empresa que passa a trabalhar dentro de uma concorrência internacional, mas por outro o próprio brasil não estava acostumado a isso. A economia do país não seguia essa lógica de aumento e trouxe grande impacto para o orçamento das famílias e das empresas”.

Segundo o economista, esse aumento de preços é uma das causas, mas tem outra também que talvez não se fale muito pouco. “A Petrobras, a partir de 2016, passou a ter uma abertura do refino do petróleo e passa a operar com uma capacidade ociosa de 30%. Ela passa a impostar petróleo refinado e isso também impacta no preço, pois anteriormente este refino era feito no Brasil. Atualmente se exporta petróleo bruto e importa combustíveis refinados. Então, este custo por não verticalizar a produção, não agregar valor aqui comprando mais caro, acaba sendo equivocada e impacta muito os preços na orbita nacional”, conclui o economista.  


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