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Verão julho

Arquitetura e conteúdo pedagógico de escola indígena pioneira em Santarém ganham destaque nacional

Portal OESTADONET, com imagens Rede Globo/Jornal Hoje - 09/07/2024

 

 

 

A escola Wapurum Tip, localizada na aldeia Açaizal, na região da Curuá-Una, no planalto santareno, em Santarém, no oeste do Pará, ganhou notoriedade em uma reportagem exibida no Jornal Hoje, da Rede Globo, por ser a primeira escola construída com arquitetura indígena do Brasil. A instituição atende estudantes da educação infantil, fundamental e médio. As tradições da cultura indígena do povo Munduruju fazem parte do conteúdo didático.

 

Inaugurada durante a programação de aniversário do município, no mês passado, o educandário representa uma inovação significativa tanto em termos de infraestrutura quanto na própria didática, já que ela foi projetada para valorizar os sabres dos povos tradicionais, como antecipou o Portal OESTADONET nesta reportagem.

 

 

 


Aula de artesanato
    
 

 

O artesanato, as línguas maternas, danças e remédios fazem parte da grade curricular. O aprendizado é desenvolvido sob orientação de profissionais que conhecem muito bem as raízes dos povos indígenas e suas tradições.

 

A inovação didática está na integração do conhecimento tradicional indígena com o currículo escolar convencional.

 

As aulas de notório e língua Munduruku têm despertado o interesse dos alunos. A estudante Jamily da Silva Carvalho destaca que além dos conteúdos incluírem os sabres do seu povo, as aulas sobre meio ambiente também têm um forte apelo entre os alunos.

 

 


Jamily da Silva Carvalho, aluna

 

 

 

Fundada em 1970 e reconhecida como escola indígena em 2009, a escola Wapurum Tip tornou-se polo em 2011. 

 

A escola foi construída toda com base na a arquitetura indígena e foi desenvolvida e planejada pelos próprios indígenas para ser coerente com as tradições e práticas construtivas dos povos tradicionais locais. O formato da unidade escolar se assemelha a uma antiga habitação indígena. 

 

O engenheiro da obra, Lauro Silva, explica que a escola foi adaptada para seguir um modelo indígena com referência nas aldeias, onde as casas seriam as ocas ou malocas, atendendo a todas as exigências que uma escola normal possui. 

 

“A escola desempenha o papel de fortalecimento da cultura e do processo de demarcação do território”, reforma o diretor da escola Elias Moraes. 

 

 

 


Diretor Elias Moraes

 

 

 

Segundo ele, ressalta o orgulho que toda a comunidade sente por terem sido pioneiros de um projeto pensado pela coletividade, que valoriza a cultura Munduruku e Apiaká.

 

“Esse é um orgulho que as nossas lideranças, nossos caciques, os anciões e os indígenas que estão aqui no território têm por terem sido os precursores desse projeto que foi muito coletivo”, disse. 


A professora Sebastiana Munduruku espera que as futuras gerações possam também usufruir do aprendizado e mantenham viva a tradição que hoje é sinônimo de resistência e conhecimento.

 

 

 


Professora Sebastiana Munduruku

 

 

 

Em uma rede social, o prefeito Nélio Aguiar parabenizou a secretária de Educação Maria José Maia, e todos os profissionais e voluntários que tornaram possível a concretização do projeto que se tornou um marco na educação de Santarém.

 

“Nossos investimentos em educação para todo o Brasil, mostrando muito mais do que uma nova estrutura para os alunos, mas um equipamento de manutenção da cultura indígena, uma mostra da resistência dos povos tradicionais de nossa região. A primeira escola indígena com arquitetura tradicional no Brasil!”, comemorou o prefeito.




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