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Narcotráfico internacional está se instalando no Pará?

12/01/2016

Em dezembro o Pará passou a fazer parte da rede de alta tecnologia do tráfico internacional de drogas, sob o comando da Colômbia, com a apreensão de um mini-submarino, que estava sendo construído na costa da Vigia, a menos de 80 quilômetros de Belém.

Desde 1993 os traficantes colombianos de droga, que produzem 60% da cocaína em circulação pelo mundo, utilizam pequenos submarinos para escapar à vigilância dos governos. Até 2011, perderam 65 dessas embarcações, mas o investimento – de um milhão de dólares só com o custo dos submarinos – é compensado pela maior eficiência desse recurso. As autoridades colombianas estimam de que de cada 10 submarinos construídos, apenas dois são localizados e recolhidos.

A apreensão feita no Pará merece registro especial. O Estado foi escolhido para ser um local de montagem do submarino, não apenas de passagem, tanto para economizar tempo quanto por já haver uma base instalada no Estado, incluindo provavelmente estoque de cocaína armazenada e laboratório de refino. A embarcação é das mais modernas, concebida para uma viagem mais demorada e exigente.

O submarino pode submergir por inteiro e permanecer mais tempo debaixo da água, tornando mais eficiente o despistamento no mar ou pelo ar, por sua completa invisibilidade. Tudo para estabelecer uma nova rota para os Estados Unidos, que tem na Colômbia o fornecedor de mais de 90% da cocaína consumida no país. Ao invés do Pacífico, intensamente patrulhado, o Atlântico.

A operação realizada pela polícia civil foi um sucesso porque chegou ao local da construção quando a embarcação já estava pronta, mas talvez fosse ainda mais bem sucedida se os policiais tivessem esperado para prender os homens envolvidos no trabalho (talvez 15) e os traficantes, além da droga. Para isso, porém, deviam contar com aparato maior e mais retaguarda de inteligência. Parece que sequer consultaram a Marinha, mais aparelhada para esse tipo de investida.

Teriam se precipitado ou foram vítimas da surpresa? Receberam a informação de fora ou dos moradores da área próxima ao local, no mangue do litoral da Vigia, e não se preparam suficientemente para o que iriam encontrar?

As perguntas têm que ser bem respondidas – e logo. O narcotráfico internacional penetra cada vez mais no Pará e isso está muito longe de ser bom. É péssimo. Se o narcotráfico internacional está investindo pesado no Pará, significa que usará sua capacidade de corromper e comprar a adesão de autoridades, um cacife muito superior ao desse tipo de transação em prática no Estado.




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