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Na nova sociedade não cabe desonestos e incompetentes

16/09/2015

Os líderes de oposição, oriundos de partidos de esquerda, defensores de bandeiras revolucionárias, libertárias, inclusivas, precisam cultivar sempre duas qualidades, além das crenças e sonhos: a honestidade e a competência.

A incompetência e a desonestidade são os grandes adversários nesta briga que devem travar para impor ideias novas, tendentes a mudar radicalmente a realidade e por isso devem orar e vigiar constantemente, ainda mais por estarem diante de um projeto humano, sujeito a erros, que acompanham a humanidade por toda sua trajetória em busca da terra prometida onde corre leite e mel.

O status quo é constituido de uma economia de mercado e um estado que protege os interesses privados, principalmente a propriedade dos meios de produção, o sistema de cambio e de crédito. Privilegia a competição no lugar da colaboração, Mantém intacto as grandes fortunas e gera uma enorme desigualdade entre os membros da sociedade, atribuindo a vitória apenas ao esforço individual, que uns teriam e outros não.

Esse sistema é mantido pelo domínio da cultura do levar vantagem sempre, de um complexo sistema jurídico e de instituições moldados para dar suporte e legalidade ao lucro. A instituição central do sistema é o Estado, com suas mais diversas formas de distribuição de poder e competência.

A conquista do Estado por partidos contrário ao sistema vigente, depende muito da postura de seus líderes. Se pregam uma idelogia nova, devem prática-la, viver como se o novo já existisse, ser o homem com todas as qualidades que projetam nas suas pregações.

Ao mesmo tempo que o partido busca corrigir os defeitos da sociedade, deve lutar internamente para corrigir os defeitos dos seus membros. E cada líder, em particular lutará contra os seus próprios vícios adquiridos no convívio com a velha forma de individualismo e de apropriação providas das coisas coletivas.

Buda pregava: "quem dominar os seus defeitos, tanto os grandes como os pequenos, por tê-los podido domar, esse sim, chamarei de asceta."

A honestidade, como valor fundamental, é a devoção pela verdade. Apropriação coletiva, por exemplo, pregada pelos partidos da mudança, não admite que haja apropriação individual do esforço coletivo. Assim como na nova sociedade não é aceitável que alguns individuos fiquem como se fosse seu com aquilo que todos produzem, na atual sociedade, preparando-se para próxima, deve-se exigir respeito com aquilo que é público, fruto do pagamento de impostos e taxas.

O exercício do revolucionário é assemelhado ao do monge e ao do cristão. Se queremos o novo reino devemos nos exercitar sempre e ser competente em nossas missões, dedicando a elas todo os nossos esforços e atenção.

Jesus Cristo, em Mateus 26:41, deixou esse ensinamento bem claro: "Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espirito está pronto, mas a carne é fraca."

Basta para o revolucionário exercitar-se todos os dias, projetando como acha que deveria ser o melhor dos cidadãos apto a viver na sociedade que sonha construir. Se conseguir viver pela média desse comportamento projetado, estará contribuindo e sendo um exemplo vivo para que outros o sigam.

Respeitar opinião alheia divergente. Saber que seu direito termina quando começa o do outro. Ter amor por todas as outras espécies. Ser um democrata. Amar a verdade. Respeita como sagrado aquilo que é coletivo. Preservar o direito das futuras gerações. Resumindo: "ame o seu próximo com a si mesmo" (Mateus 22:39)

Gandhi nos dizia que "se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova." Isso significa dizer que devemos evitar todos os vícios cometidos pelas pessoas da atual sociedade que tanto criticamos.

Na construção do novo mundo nunca os fins justificam os meios, nunca. A nova sociedade será construída "de simples gestos quotidiano, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo". (Papa Francisco)




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