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Entidades se organizam para fomentar cadeia produtiva do artesanato

Silvia Vieira, Repórter de O Estado do Tapajós - 23/10/2014

Oficina de agroextrativismo reuniu artesãos da região oeste do Pará -

Projeto coordenado pelo SFB (Serviço Florestal brasileiro) em parceria com Ideflor para fomentar a cadeia produtiva do artesanato de áreas onde há concessão de florestas começa a ganhar corpo em Santarém com a organização de cooperativas de produtores da Flona Tapajós, Resex Tapajós-Arapiuns e Projeto de Assentamento do Lago Grande.

Na manhã de ontem (22), representantes da Coomflona (Cooperativa Mista da Flona Tapajós), Associação Tapajoara (Resex Tapajós-Arapiuns) e Feagri (Federação de Agricultores da Gleba Lago Grande) estiveram reunidos com a coordenação do projeto e a empresa Ecotoré contratada pelo Sistema Florestal Brasileiro para auxiliar as entidades no processo de organização, para definir os próximos passos para a implantação de duas lojas onde produtos serão comercializados.

As entidades já estão em contato com a prefeitura de Santarém para viabilizar o funcionamento das lojas em Alter do Chão e na sede do município. Na cidade, a loja deve funcionar no antigo Cristo Rei, que está sendo reformado pela prefeitura na av. Barão do rio Branco entre as avenidas São Sebastião e Rui Barbosa, para ser um grande centro de artesanato. E na vila de Alter do Chão, a loja deve ser abrigada nas dependências do CAT – Centro de Atendimento do Turista.

“Nós estamos trabalhando nesse processo desde o mês de maio. Foi um trabalho feito pelo ICMBio através da Ecotoré que está aí trabalhando conosco para viabilizar uma comercialização em rede. Feagri, Tapajoara e a Coomflona se reuniram e chegamos ao reconhecimento de três produtos que nós consideramos que precisam de mais visibilidades: Artesanato, Látex e Farinha. O artesanato é o carro chefe porque já tem uma ligação com o turismo aqui na região”, informouDinael dos Anjos, vice-presidente da Associação Tapajoara.

Na resex Tapajós-Arapiuns foi feito um mapeamento de 14 comunidades (indígenas e não indígenas) onde se produz artesanato, além de cerâmica tapajônica. Na flona, foi mapeado o artesanato de látex. No artesanato de madeira foram mapeadas as oficinas caboclas, a confecção de remos na região do Rio Maró, além dos trançados do Arapiuns. Em se tratando de farinha, comunidades filiadas às três entidades que participam do projeto têm produção, e buscam a valorização do produto, inclusive com inclusão na merenda escolar.

Para o presidente da Coomflona, Arimar Rodrigues, o projeto além de divulgar a produção das comunidades agroextrativistas, vai funcionar como uma porta de saída para os produtos que hoje não têm mercado, além de um preço mais justo.

“Imagino que esse projetoé um porta que se abre para o produtor tanto faz o artesanal quanto o da agricultura familiar que trabalha com a farinha e com a borracha, para a comercialização desses produtos. Mesmo porque esse projeto tende a trabalhar a divulgação e o preço justo. Pois para um agricultor e um artesão que não conseguem um preço justo para o seu produto, a produção se torna inviabilizada. Temos cerca de 600 famílias associadas na Coomflona e todas as que produzem terão espaço dentro desse projeto”, ressaltou Arimar.

A burocracia que os agricultores familiares encontram para colocar seus produtores no mercado é a maior reclamação das entidades representativas da categoria.

“Temos uma produção muito grande da agricultura familiar desde a região do Lago Grande, Arapiuns até o Arapixuna, mas não conseguimos colocar esses produtos no mercado por causa da burocracia em cima do pequeno produtor. Hoje o mercado só abre as portas para o produtor que tem condições de ter uma produção maior. O maior problema é em relação à DAP, que o Incra e a Emater fornecem ainda em uma quantidade muito pequena que atende todos os pequenos produtores. É por isso que nós estamos nos organizando em cooperativas para colocar a produção do pequeno agricultor no mercado e com um preço que compense o trabalho deles”, frisou Florenço Sousa, presidente da Feagri.

O projeto de fomento da cadeia produtiva do artesanato, visa entre outras coisas: valorização do conhecimento tradicional, manejo sustentável dos recursos, formação de preço justo, controle para garantia de qualidade e cooperação para atuação na rede de comercialização.

 




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