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Programa dos candidatos: quem acredita neles?

Miguel Oliveira, editor da Coluna do Estado - 05/08/2014

O advogado e professor Aloysio da Costa Chaves foi o último candidato ao governo do Pará que, a rigor, apresentou um programa de ação estruturado. Foram as Diretrizes de Ação para 1975/79. Ele nem precisaria se dar a esse trabalho: sua indicação, feita de Brasília pelo general Ernesto Geisel, que ocupava a presidência da república, era imposta – literalmente manu militari – aos deputados estaduais de cima para baixo, goela adentro.

Mas o ex-reitor da UFPA e presidente do Tribunal Regional do Trabalho reuniu intelectuais, alguns de esquerda, e fez o seu plano ao longo de semanas de trabalho numa dependência que lhe foi reservada na sede do Banco da Amazônia. Ele tinha uma meta ousada para aqueles tempos: romper com o planejamento federal, que era monopolista; os Estados se limitavam a alocar o que a União determinava. A Amazônia – e o Pará em particular – tinha direito a maior margem de livre arbítrio. Mas Brasília repudiou a audácia e o governador teve que se enquadrar. Mas valeu a iniciativa. Ficou na história do quase-possível.

Desde então, o que devia ser um plano metodologicamente definido se transformou em meras propostas. As deste ano vão do simplório ao insignificante, com uma página e meia, quatro ou 19 páginas de metafísica ou embromação, com uma ou outra exceção. Plano mesmo, no sentido técnico da expressão, só o que o governador Simão Jatene apresentou ao TRE. Não por acaso se intitula Diretrizes de Governo – 2015-18.

O candidato à reeleição é economista por formação, com mestrado na Universidade de Campinas (SP). Não surpreende que suas propostas sejam as mais bem apresentadas, ainda mais porque ele tem a máquina pública ao seu dispor. Seria até um programa a ser considerado, se Jatene não frequentasse o poder desde 1983. Primeiro como secretário de planejamento de Jader Barbalho. Depois, como o todo-poderoso secretário especial de Almir Gabriel. E, por fim, como governador por dois mandatos, à cata do feito inédito de obter o terceiro, sempre através de eleição direta.

Jatene já dispôs de tempo suficiente para apresentar resultados ao invés de novamente fazer propostas e assumir compromissos. Nem mesmo seu secretário de cultura, ad-hoc como secretário do mais-além, Paulo Chaves Fernandes, dispôs de tanto poder durante tanto tempo. Com a enorme diferença de nunca ter sido o chefe da nomenklatura parauara.

A retórica tucana, cheia de neologismos, não-me-toques e jargões politicamente corretos já encheu todas as medidas. A encadernação é de primeira. O conteúdo, de última. Especialmente porque o prospectivo, sempre a invocar pactos e uniões, contrasta com os resultados medíocres. Depois de 16 anos de poder, o PSDB deixou de significar futuro. Mas o que dizer de Helder Barbalho, a alternativa efetiva de poder aos tucanos, que mandou quatro páginas pessimamente costuradas como suas propostas? Um embuste. Merece um velho qualificativo: papelucho.

Assim, cabe ao (e)leitor deste jornal, querendo, estabelecer metas, diretrizes, ações e compromissos concretos e enviá-los para cá ou, ao menos, armazená-los na sua cabeça para cobrar daquele para quem der o seu voto. Se quiser responsabilidade maior, tem espaço aqui para dizer o que exige em troca da digitação eletrônica de outubro. O convite está feito. (Lúcio Flávio Pinto)




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