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A Óbidos de Ademar

Lúcio Flávio Pinto - 09/05/2024

Créditos: Divulgação

 

 

Na Óbidos de Ademar Ayres do Amaral não havia “um único e escasso ladrão”. Num ensaio histórico ou político, ele teria que provar a afirmativa com relatos e exemplos. Em um romance, teria que tomar a sua cidade (e não a de qualquer outro) como personagem contida num enredo inédito, ao menos na crônica brasileira, de uma cidade sem ladrão. Esse fato não participa mais da história. Logo, No ritmo da festa (ou mais!...) (Editora Paka-tatu, 206 páginas) não é um romance, como o define o seu autor. [ Lançamento nesta quinta-feira(9) em Belém ]

 

O novo livro de Ademar, a ser lançado amanhã em Belém, pode ser lido com curiosidade e prazer. Seu estilo simples e comunicativo prende o leitor do início ao fim do relato interessante, por vezes cômico. Não sendo ficção, porém, precisa fornecer muitos detalhes, obtidos em pesquisa pedestre. Essa característica quebra o ritmo, fragmenta as partes do livro, tirando-lhe a unidade. Os obidenses deverão consumi-lo como um portentoso jaraqui. Para leitores de outros k=lugares, mais uma reunião de “causos” do interior.

 

Uma cidade na qual sua frente é bloqueada pela sua costa, o porto se esvaziou, quase ninguém utiliza o aeroporto, o mais poderoso político do Estrado, o caudilho Magalhães Barata, lhe dedicou ressentimento inesgotável (mandando reduzir a área do município), enquanto o político da terra era tratado pelo nada solene apelido de Come Merda.

 

 

 

 

Com tanto conhecimento qu possui e seu estilo popular e cuidadoso de escrever, Ademar Amaral podia transformar Óbidos na sua Macondo. O novo livro não alcança a estatura de Catalinas e Casarões, que iniciou nova e boa trilogia, e criou mais uma cidade literária, seguida por Sementes de Sol e Temporal de Cima.

 

Agora, é hora de Ademar retornar à boa literatura, não deixando de contar seus “causos”, com a qualidade do bom conteur que é.

 




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