banpara LCI julho 2024


Memória de Santarém  1872-1876 : navegação a vapor, madeira grossa e falta de urinol mata

Lúcio Flávio Pinto - 28/04/2024

Navios movidos a vapor que trafegavam no rio Amazonas e afluentes no final do século XIX, no porto de Manaus(AM) - Créditos: Livor Manaus – entre o passado e o presente, de autoria de Durango Duarte




De navio até o Peru

 

Uma vez por mês o vapor Teixeira e Roiz [Rodrigues] saía de Santarém para uma longa viagem até Iquitos, no Peru. Fazia escala “por grande número de portos do Baixo e Alto Amazonas. O representante da firma em Santarém era Antônio José da Silva e Souza & Comp., que estava “autorizado a fazer diferença de 10% nas passagens de ida e volta”.


A companhia garantia “o bom tratamento nas cargas e passageiros que é próprio do comandante e sócio do mesmo vapor o distinto cavalheiro o sr. Joaquim José Teixeira”.
 

 

Lenha para os vapores

 

O mesmo Antônio José da Silva e Souza publicava anúncio manifestando o interesse em comprar lenha posta na sua fábrica de cal denominada Santa Ana ou a bordo do patacho Afonso. Ele compraria “toda e qualquer porção de boa lenha para combustível de vapores pelo avultado preço de 30$000 [30 mil reis] ao milheiro”.
 

 

Ações da companhia de navegação

 

Quem quisesse vender 16 ações da Companhia Fluvial Alto Amazonas [fundada em Manaus, em 1866, por Alexandre Brito Amorim] deveria dirigir-se à tipografia do jornal Baixo-Amazonas, “que achará com quem tratar”.

 


 

 

 

 

Muitíssimas e grossas madeiras

 

Em 1876, José Inácio da Mota, “abastado fazendeiro” no jacaré-capa. Comunicou que o furo Cacoal Grande, na boca que dá saída para o rio Amazonas, estava “completamente tapado por muitíssimas e grossas madeiras”. O fazendeiro achava que as madeiras deviam ser de uma indústria instalada no local.
 

 

Falta de urinol mata

 

Acidente sofrido por Artur, de 10 anos, em 1876, revelou “circunstâncias tristíssimas a que são condenados os meninos” que estudam no Seminário maior da Imaculada Conceição. O seminário não possuía urinol nos dormitórios, por não ser considerado “decente”.

As crianças se levantavam à noite “e, tontas de sono, vão urinar de uma janela que dá para um precipício de muitos pés de altura”. Na queda, Artur fraturou um braço em duas partes e morreu dias depois.

 

 

 

 

LEIA EDIÇÕES ANTERIORES DE MEMÓRIA DE SANTARÉM CLICANDO AQUI




  • Imprimir
  • E-mail