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Memória de Santarém: os jornais antigos

Lúcio Flávio Pinto - 31/03/2024

 

 

Uma fonte histórica.


O Mariano, órgão oficial da Federação Mariana da Prelazia de Santarém, com a devida permissão eclesiástica, foi um dos mais duradouros e influentes jornais do município. Fundado em 28 de julho de 1935, sob orientação de frei Ambrósio Philipsengurg, foi redigido e dirigido inicialmente por Osman Bentes de Sousa e Ezeriel Matos.

 

 

 

Osman foi particularmente importante nessa tarefa: por quatro vezes seguidas ocupou a presidência da congregação e se manteve à frente do jornal. O Mariano era (bem) impresso no Instituto Santa Clara, primeiro com quatro e depois com oito páginas, em formato pouco menor do que tablóide. Saía no último domingo de cada mês.

 

 

 


Muito doutrinário e ortodoxo, trazia muitas lições morais e religiosas. Combatia com veemência outras religiões, principalmente o protestantismo, a maçonaria e o espiritismo, que se expandiam em Santarém. Também era radicalmente anticomunista. Constituiu-se em um dos núcleos de aglutinação e mobilização das várias comunidades religiosas da cidade, que zelavam pela dominação católica maciça. As mulheres se reuniam e militavam principalmente na Pia União das Filhas de Maria. Era comum se formarem casais e famílias de congregados das duas entidades.

 

O Baixo Amazonas


O Baixo Amazonas“semanário noticioso e independente”, conforme se definia no cabeçalho, começou a circular, semanalmente, em 13 de maio de 1952. Retomou o título do Baizo-Amazonas, órgão do Partido Conservador, que se manteve entre 1872 e 1884. Era de propriedade da Gráfica Baixo-Amazonas Ltda.

 

 

 

 

Com quatro páginas em formato europeu, um pouco maior do que o tablóide, o jornal tinha Elias Pinto como diretor, Silvério Sirotheau Correa (foto acima) como redator e Ambrósio Caetano Correa como gerente. Sua sede, que abrigava a red ação, gerência e oficinas, ficava na rua Siqueira Campos, 430. O exemplar avulso custava um cruzeiro. Endereço telegráfico: Grazonas. Caixa Postal, 61. Entre seus colaboradores iniciais estavam Emir Bemerguy, Wilson Fona, Arinos Pereira, Wilson Fonseca.

 

Controle da imprensa


Em plena ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, até O Mariano, o órgão da Congregação Mariana dos Moços, teve que ser registrado no Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, que fazia a triagem e a censura em todos os órgãos de divulgação em nome do regime. O registro foi feito em 1941 pelo prefeito municipal, Mário Guimarães, na seção estadual do DIP em Belém. Era o Deip.

 

 


 

 

O Mariano, na edição de quatro páginas, em formato pequeno, que saía no quarto domingo de cada mês, já circulava havia seis anos, com a devida permissão eclesiástica. Precisou aduzir-lhe a permissão secular do todo-poderoso governo de Vargas. Apesar de seu conteúdo ser essencialmente doutrinário e dogmático, ligado à religião, o Estado Novo exigia o registro de todas as publicações. O Momento, que também circulava na mesma época, foi igualmente registrado no DIP.

 

 

Assinaturas do jornal

 

O jornal oficial da prelazia lembrava, no final de 1951, que o próprio papa Pio XI havia considerado a imprensa católica como uma questão ainda mais importante para a Igreja do que “o gravíssimo problema sacerdotal”. Por isso, cada lar católico devia ter um jornal católico, como O Mariano, que tinha a missão de “ensinar a doutrina cristã, informar os fiéis sobre os maiores acontecimentos no mundo católico”, além de ser “o laço de união entre o bispo e o seu rebanho”.

Dessa premissa concluía: “Negar assinar O Mariano ou não pagar a assinatura e gastar boas somas em revistas de esportes e de modas, sim, este catolicismo cômodo e de braços cruzados é o inimigo pior da Igreja porque o é da verdadeira imprensa católica”.

O jornal pedia aos leitores que fossem “um pouco mais generosos e dedicados à causa da boa imprensa”. Garantia que proteger, assinar, propagar, ler o jornal católico “é hoje tão necessário como fazer a páscoa e receber os sacramentos”.

No início de 1951, O Mariano possuía 1.200 assinantes, metade deles em Santarém. Juruti e Óbidos, juntos, somavam 600 assinantes. Oriximiná, Faro, Monte Alegre e Prainha, um total de 500. Alter do Chão contava 50 assinantes do jornal.

 

 

 

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