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Memória de Santarém: A cidade cresce em conflito; Boim: o lugar de maior futuro; coluna social de 1924

Lúcio Flávio Pinto - 28/01/2024

Plano original da área urbana de Santarém, em 1850. - Créditos: Arquivo: Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana

 

Boim: o lugar de maior futuro.

 

Em maio de 1924, a missão norte-americana que realizou estudos sobre o vale do Tapajós continuou a sua peregrinação pela região. Saindo de Santarém, visitou várias propriedades que cultivava, seringueiras. Em seguida, foram à serra de Humaitá, localizada a 11 quilômetros a pé da vila de Boim, onde havia grande número de seringais nativos, acessíveis “por uma estrada magnífica”.


Os cientistas estrangeiros consideraram o rio Tapajós “o mais belo e grandioso” dos que haviam conhecido, destacaram, em Boim, “seu clima ameno e delicioso, com a pujança de suas imensas florestas, onde jazem riquezas incalculáveis, e com a fertilidade espantosa de seu solo, que se presta a todo o gênero de cultura”. Era o lugar “mais rico e de maior futuro de toda a vasta região o Tapajós”.

 

 


Desenho de Jean Pierre Chabloz, de 1943, mostra seringueiro produzindo as bolas de borracha.

 

 

Três anos depois, a Ford, a maior empresa dos Estados Unidos, se instalou nessa região para produzir borracha.

 



Hery Ford, ainda jovem. E após se tornar magnata da indústria automobilística. Foto: The Henry Ford Museum

 

 

As exportações

 

Santarém dobrou a exportação de borracha entre 1922 e 1923, de 20 para 39 toneladas. Já a exportação de cacau se reduziu muito: de 165 para 69 toneladas. A de milho cresceu: de 165 para 212 toneladas. A de sementes oleaginosas foi de 82 para 117 toneladas.


Outros itens da pauta de exportações do município: algodão, feijão, peixe seco, copaíba, cumaru, castanha, gado, couros secos, couros de veado, solas e embarcações, de 81 para 218.
 

 

A cidade cresce em conflito

 

A expansão territorial de Santarém já provocava um fato que se repete até hoje: o conflito pela propriedade de terras.


Em edital, o engenheiro agrônomo José Caribé da Rocha comunicava, em abril de 1924, que ia iniciar a medição e demarcação de um lote de terras chamado Santa Maria (que antes era Bom Futuro), situado a 15 quilômetros de Santarém, adquirido por compra ao Estado por Maria Toscano de Vasconcelos.


O lote era limitado ao norte com Anísio Lins de Vasconcelos Chaves, passando a Antônio José Linhares, e terras devolutas do Estado., também no limite ao sul. Outras vizinhanças eram com a estrada Barro Vermelho e o Orfanato de Santarém.

 

O ato deixou de ser efetuado, como declarou o engenheiro em novo edital, “por oposição material de um grupo de homens armados, chefiados por Joaquim Alagoano”. Ele intimou Caribé a não prosseguir nos trabalhos, “sob pena de ser assassinado. O engenheiro, argumentando estar “investido de funções legais, por designação do Governo do Estado, não se submetia a imposição alguma”.


Irritado pela resposta, Alagoano disse que mandou fazer um caixão, porque o engenheiro “ficaria morto no local da demarcação, impossibilitado de qualquer ação, sob a ameaça constante do chefe”.


Caribé protestou, em nome da lei contra a violência de que era vítima e mandou lavrar um termo em duas vias, para, nos termos do Regimento de Terras do Estado, em vigor, serem entregues uma ao Prefeito de Segurança de Santarém e outra remetida à Diretoria de Terras. E remarcou a medição para um mês depois.
 

 

O vai e vem

 

Da coluna social em abril de 1924:


- Foi a Belém no Paes de Carvalho o sr. major Azevedo Vasconcelos, correto prefeito de polícia.

- Acompanhado de sua exma. sra. e filhos, embarcou para Fortaleza o sr. Manoel Ladislau Branco, guarda-livros da firma V. Bastos & Cia.

- Em busca do restabelecimento da saúde de um filho, embarcou para Belém a exma. sra. Dora Veiga dos Santos, esposa do sr. Manoel Pereira dos Santos. Acompanhou-a a mlle Lucy Braga.

 

 

 

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