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Atraso em exame de DNA retarda por mais de um ano identificação de corpo que seria de pescador desaparecido em maio de 2022, em Monte Alegre

Portal OESTADONET - 21/11/2023

Paula, sobrinha do pescador Paulo Vieira da Silva Filho, reclama da lentidão da perícia - Créditos: Reprodução/Montagem/TVRBA

 

Uma família do município de Monte Alegre, no oeste do Pará, tenta, há mais de um ano, a liberação dos restos mortais que seriam de um pescador desaparecido em maio de 2022. A vítima, Paulo Vieira da Silva Filho, caiu de uma bajara durante uma pescaria, no Rio Paytuna. O fato aconteceu no dia 1 de maio do ano passado. 

 

O desaparecimento do pescador foi comunicado à polícia do dia 1º de maio, pelo cunhado da vítima, Raimundo Malcher da Trindade. No dia 27 de outubro daquele mesmo ano, ou seja, cinco meses após o desaparecimento de Paulo Vieira, foi encontrada uma ossada humana no rio, que familiares acreditam ser do pescador desaparecido.

 

Apesar de a família ter reconhecido alguns pertences da vítima, como roupa, chaveiro e outros objetos, a polícia encaminhou os restos mortais para a Perícia de Comparação de DNA. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil, sob a presidência do delegado Rodrigo de Oliveira Barbosa e relatado pelo delegado Gabriel Orlando Castelo de Figueiredo. 

 

No último dia 7 de novembro, o 1º promotor de Justiça, David Terceiro Nunes Pinheiro, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Monte Alegre, instaurou um procedimento administrativo afim de apurar o pedido feito pela senhora Maria de Nazaré Ferreira Arcanjo, para a liberação dos restos mortais de seu esposo Paulo Vieira da Silva Filho, pela Secretaria de Segurança Pública por meio das instituições responsáveis pela identificação.

 

Segundo apurou o Portal OESTADONET, o último local por onde passaram os restos mortais do pescador foi a Perícia de Comparação de DNA, em 24 de março de 2023, pelo Instituto de Criminalística ‘Iran Bezerra’, para que fosse feita a perícia de identificação humana, em Belém. Após isso, os restos mortais foram remetidos para o Centro de Perícias em Santarém, contudo, nada foi devolvido para a delegacia de Polícia Civil. 

 

No último dia 17 de outubro, em resposta à uma solicitação feita pela Superintendência Regional de Polícia Civil, o gerente do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), em Santarém, perito Alexandre Adeodato Azevedo, esclarece que as amostras da vítima e de seus possíveis parentes foram enviadas para o laboratório de análises genéticas em Belém, para confirmação do grau de parentescos entre os envolvidos e assim, autorizando sua entrega e transporte dos restos mortais que se encontram no instituto de medicina. 

 

"Porém, como resultado deste exame pericial foi constatada presença de degradação do material prejudicando a recuperação do perfil genético interpretável da vítima, insuficiente para inferir uma identificação. Diante disso, recebemos orientação de enviar mais material genético, já providenciado, como pessoas ósseas inteiras para a repetição deste exame genético, para assim se chegar a uma conclusão fidedigna, segura e definitiva para o caso", escreveu o perito.

 

No último dia 7 de novembro, o 1º promotor de Justiça, David Terceiro Nunes Pinheiro, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Monte Alegre, instaurou um procedimento administrativo afim de apurar o pedido feito pela senhora Maria de Nazaré Ferreira Arcanjo, para a liberação dos restos mortais de seu esposo Paulo Vieira da Silva Filho, pela Secretaria de Segurança Pública por meio das instituições responsáveis pela identificação.

 

O Portal OESTADONET apurou ainda que, no dia 6 de dezembro de 2022, a senhora Edilane Ferreira da Silva Oliveira, filha da vítima, procurou a Delegacia de Polícia Civil de Monte Alegre, para relatar alguns fatos relacionados ao desparecimento do pai. Segundo ela, Paulo Vieira da Silva Filho caiu de uma bajara durante uma pescaria, no Rio Paytuna. O fato aconteceu no dia 1 de maio de 2022. Ele estava acompanhado de Raimundo de Sousa Junior. 

 

As buscas ao pescador iniciaram com a ajuda de amigos, familiares e do Corpo de Bombeiros. Apesar de todos os esforços, ele não foi localizado e as buscas foram encerradas. No dia 27 de outubro de 2022, cinco meses após o desaparecimento de Paulo Vieira, foi encontrada uma ossada humana no mesmo rio, que familiares acreditam ser do pescador desaparecido.

 

A família imediatamente identificou a vítima reconhecendo seus objetos pessoais como as roupas encontradas junto à ossada. Além disso, havia um chaveiro cujas chaves era das portas de suas duas casas, evidência já confirmada. A família não tem dúvidas de que se trata dos restos mortais do pescador. 

 

Segundo a filha da vítima, o que chamou a atenção da família foi o fato de o homem que acompanhava o pescador no dia em que ele desapareceu, ter indicado um local onde ele teria caído da bajara e o local onde foi encontrada a ossada ficar bem distante. 

 

Em seu relato à polícia, Edilane Ferreira da Silva Oliveira destaca que não tinha como a ossada se movimentar do local indicado por Raimundo Junior até onde os restos mortais foram encontrados porque é contra a correnteza. Além disso, o mês de maio é o período de cheias do rio. 

 

Ela conta ainda que Raimundo Junior não procurou comunicar o desaparecimento do pai a nenhum parente e que um vizinho o ouviu comentar sobre a ocorrido e foi a partir desse comentário que a família teve conhecimento do desaparecido do homem.




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