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Fumaça prejudica visibilidade no trânsito, e na navegação nos rios em Santarém

Portal OESTADONET - 01/11/2023


O céu de Santarém, no oeste do Pará, amanheceu encoberto por uma grande camada de fumaça nesta quarta-feira (1). O fenômeno, segundo especialistas, é causado pelo excesso de queimadas na região Amazônica. Em outubro, por exemplo, o bioma Amazônia registrou 22.061 focos de queimadas, o maior índice para o mês desde 2008 e 58% superior ao ocorrido no mesmo período do ano passado.

 

Nesta manhã, os moradores compartilharam nas redes sociais, diversas situações ocasionadas pela fumaça. Além de prejudicar o meio ambiente, ela oferece perigos à saúde da população. A fumaça libera substâncias tóxicas que irritam os olhos e as vias aéreas. Especialistas orientam que as pessoas com problemas respiratórios, como asma, devem redobrar os cuidados e evitar o contato com a fumaça. O uso de máscara é recomendado neste período cinzento.

 

 


Santarém, nesta quarta-feira(1), às 06h23

 

 

Além disso, a fumaça se tornou uma ameaça ao trânsito e à navegação nos rios da região devido à baixa visibilidade. Na região da Curuá-Una, os motoristas relatam a falta de visibilidade na PA-370. Não há registro de acidentes, mas a atenção ao volante também precisa ser redobrada. Veja o video abaixo.

 

 

 

 

 

 

A situação se agravou nos últimos dias, como mostram as fotografias e vídeos obtidos pela reportagem do Portal OESTADONET.

 

 

 


Santarém, no início da tarde desta quarta-feira, avenida Dom Frederico Costa/Foto: Sidney Canto

 

 

Até metade do mês de outubro, a navegação nas águas do Tapajós estava tranquila. Mesmo com o nível do rio baixo, era possível navegar com segurança. Da semana passada pra cá, a falta de visibilidade aumentou e exigiu maior atenção dos comandantes de barcos e pequenas embarcações, muito usadas pelos ribeirinhos na região.

 

 

 

 

No centro comercial da cidade, as pessoas também se queixam do incomodo causado pela fumaça. Gente reclamando de irritação nos olhos, tosse e alergias. Nas redes sociais, alguns internautas dizem que até pra sair de casa com uma roupa está difícil, já que o cheiro da fumaça fica impregnado no tecido. 

 

 

 

 

A jornalista de ciência e meio ambiente, Giovana Girardi, compartilhou em suas redes sociais, que esse volume de fumaça é resultado de três anos de desmatamento.

 

"A importante queda no desmatamento registrada nos últimos dez meses em toda a Amazônia não foi suficiente pra evitar o aumento das queimadas que foi impulsionado pela seca extrema – um oferecimento das mudanças climáticas, que pioram o El Niño deste ano. Tudo indica que em 2023 vai ser o ano mais quente da história, em uma combinação fatal entre aquecimento global e El Niño. Mas o que se vê na Amazônia é, acima de tudo, culpa de gente que se aproveita da seca pra botar fogo e limpar terreno pra grilagem. Só que esse fogo entra na floreta em pé.  A floresta já abalada pela seca queima e pode comprometer os esforços feitos para conter o desmatamento. É muito grave a situação", escreveu em seu twitter.

 

Mas a ecologista Erika Berenguer acentua que nem todo fogo é criminoso e nem todo fogo é ruim.

 

"Mas nem todo fogo é criminoso e nem todo fogo é ruim - populações tradicionais e agricultores familiares dependem do fogo no seu roçado pra agricultura familiar. A questão é que esse volume defumaça representa muita biomassa sendo queimada, vinda de 3 anos de desmatamento não queimado por conta do La Niña. Aí muita derrubada = muita biomassa = muita fumaça. A herança da gestão anterior é a hecatombe de agora", afirmou em texto postado em seu microblog.