Verão julho

Sem provas, deputado paraense acusa Ibama de executar garimpeiro, mas admite que vítima não tinha autorização para explorar ouro

Portal OESTADONET - 26/08/2023

Deputado estadual Wescley Tomaz (Avante) - Créditos: Reprodução/redes sociais

O deputado estadual Wescley Tomaz (Avante) usou as redes sociais para criticar a atuação de agentes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), durante uma ação de combate ao garimpo ilegal em uma Área de Proteção Ambiental (APA), do Tapajós, na região sudoeste do Pará, nesta sexta-feira (25). A equipe de fiscais do órgão foi atacada a tiros e durante um confronto, um garimpeiro acabou sendo atingido e morreu. A Polícia Federal abriu inquério para apurar a morte de José Garcia Vieira, em Jacareacanga.

 

Após o episódio que resultou na morte do garimpeiro identificado como José Garcia Vieira, o deputado Wescley Tomaz, conhecido incentivador da garimpagem ilegal na região, gravou um vídeo afirmando que, "de forma covarde, o Ibama executou o garimpeiro José Vieira". Segundo o parlamentar, a vítima morava na região há mais de 40 anos e não possuía nenhum antecedente criminal, além de possuir diversos processos de pedido de legalização de garimpo junto à Agência Nacional de Mineração (ANM).

 

Wescley afirma que onde José Garcia trabahava não era terra indígena, nem parque nacional ou área da floresta nacional, mas entrou em contradição ao afirmar que na área alvo dessa fiscalização não está autorizada a garimpagem. "Trabalhava em área que não estava legalizada, mas que era permitida a exploração garimpeira. O que eu quero dizer com isso? É que era uma área aonde o garimpo era possível. Aonde era permitido, só não estava legalizado por culpa do governo e das entidades que legalizam os nossos trabalhadores", afirmou. 

 

Desde o último dia 10 de agosto que o Ibama concentra suas ações de combate ao garimpo clandestino na região do Tapajós, que compreende os municípios de Itaituba, Jacareacanga e Novo Progresso, concentra a maior quantidade de alertas de garimpo no país, principalmente em Unidades de Conservação e Terras Indígenas.

 

 

O deputado também disse que outrora o Ibama tinha autorização para destruir equipamentos e que já existem vários projetos de lei para proibir a destruição de equipamentos apreendidos pelo órgão ambiental. "E agora vem a preocupação maior. Será se agora o Ibama tá com autorização para matar? Eu quero ver qual vai ser o posicionamento do MPF e da comissão dos direitos humanos da Assembleia Paraense. Nós sabemos o tratamento que a polícia recebe quando invade uma favela para matar bandido. E o garimpeiro não tinha nada a ver, sem nenhum antecedente criminal, tava lá trabalhando. Um tiro nas costas, antes que eu esqueça de falar. Um garimpeiro não representa perigo pra ninguém e essas operações ocorrem desde 2009. São quase 15 anos de operações truculentas do Ibama e nós nunca tivemos relato de garimpeiro do Tapajós reagiu a qualquer operação. Independente da versão que eles vão criar, eu acredito que o garimpeiro do Tapajós sempre foi muito pacífico e sempre buscou a legalização", pontua o deputado.

 

Segundo o Ibama, uma equipe do instituti foi atacada a tiros durante ação de fiscalização contra o garimpo ilegal na Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, no Pará, nesta sexta-feira (25). Houve confronto e um homem foi baleado. Ele estava armado com uma pistola e atirou contra os agentes ambientais, que reagiram. Foi socorrido e levado de helicóptero para Itaituba (PA), mas não resistiu.

 

Notas

 

A Câmara Municipal de Itaituba repudiou " o desfecho violento das operações dos órgãos ambientais que vem ocorrendo em nossa região, que neste último dia 25/08/2023 (sexta-feira) ocasionou a morte do trabalhador Garcia Vieira, no garimpo do canta galo, cidade vizinha de Jacareacanga/PA".

 

Segundo o documento assinado pelo presidente da casa, Dirceu Biolchi, " Condutas advindas de agentes do Estado que levam à morte de trabalhador só inflamam o ambiente, ao invés de garantir a solução. É preciso racionalizar as medidas e encontrar no diálogo propositivo a forma de compatibilizar meio ambiente e atividades econômicas. Exigimos a apuração rígida e célere do caso em questão, pois nossa sociedade não pode ficar sem resposta."

 

A  Associação dos Mineradores deOuro do Tapajós– AMO também expressou repúdio em decorrência da morte de Garcia Vieira.

 

"Sr. Garcia, garimpeiro tradicional, que exercia suas atividades, legalmente, no âmbito da RESERVA GARIMPEIRA DO TAPAJÓS (RESERVA FEDERAL), há mais de 40 anos, por parte de AGENTES AMBIENTAIS, que sob argumentos baseados em laudos falaciosos, verdadeiras narrativas, desprovidos de qualquer legitimidade, vêm praticando atos de guerra e terrorismo contra a população ordeira e trabalhadora, composta de mais de 40.000 garimpeiros(as) e pequenos agricultores, que vivem e trabalham, com suas famílias, pacificamente há mais de 60 (sessenta) anos, nesta região do Tapajós, SENDO O SR. GARCIA, A PRIMEIRA VÍTIMA FATAL DE TÃO DESUMANA OPERAÇÃO REPRESSIVA".




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