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A estrada das castanheiras

Lúcio Flávio Pinto - 08/08/2023

Créditos: Nélio Duarte de Souza

Uma linha reta traçada entre Uruará e Santarém, no Pará, economizaria 100 quilômetros se tivesse que prosseguir pela BR-230 (a Transamazônica) até a BR-163 (Santarém-Cuiabá) e só a partir daí chegando à capital do Baixo-Amazonas, na rota tradicional.

 

Seria uma conquista e tanto pela ótica do rodoviarismo desenvolvimentista que há mais de 60 anos assola e assalta a Amazônia. Em 2008, começou a construção. Hoje, dos 215 quilômetros de extensão, 70 quilômetros da estrada, que é a PA-370, já estão asfaltados. A maioria dos trechos de chão está compactada. No verão, é possível fazer o percurso em 3 ou 4 horas. No inverno, em até cinco horas, com trechos muito enlameados.

 

Nenhuma novidade em matéria de rodovia pelo interior da Amazônia. As cenas surpreendentes aparecem quando o leito da estrada altera o seu traçado para preservar as castanheiras. Num trecho, a pista se bifurca, contornando pelos dois lados duas gigantescas castanheiras. Há centenas delas, mais esparsas às proximidades de Santarém, mais densas perto de Uruará, quando formam um corredor polonês de ambas as margens do traçado.

 

Em áreas, como as do Acre e do sul do Pará, depois que as árvores foram derrubadas ou queimadas, a lei que protege as castanheiras começou a ser aplicada e respeitada, como na PA-370. Ao longo da estrada, pode-se contemplar o espetáculo oferecido por essas árvores maravilhosas. Não há cenário igual.

 

Nada que entusiasme, porém. Isoladas, castanheiras de 50, 60 ou 70 metros podem ser derrubadas por ventos e chuvas mais fortes. Ficam sem a proteção da companhia de centenas de árvores que a circundam e a defendem, e que são logo postas abaixo.

 

Sozinhas, são gigantes frágeis. Mesmo que se mantenham por certo tempo, cadê o besouro da polinização e a cutia e outros animais que roem os ouriços e plantam as sementes? A procriação desapareça e a floresta de castanheiras irá desaparecendo.

 

E agora, o que fazer para proteger de verdade essas árvores gloriosas da Amazônia, enquanto é possível? Criar um parque em toda a extensão da estrada, instalar uma guarda florestal, desenvolver projetos de pesquisa e preservação e, com seriedade, desenvolvendo a região pelo turismo ecológico. Primeira medida: tirar o nome da PA-370, de Transuruará, para Rodovia das Castanheiras.

 

Nélio Duarte de Souza oferece um panorama da estrada com estas fotos que fez.

 




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