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Mineração ilegal de ouro no Brasil cresceu 44% em 2021, diz estudo

Agência France Press - 08/09/2022

Garimpo na Terra Indígena Munduruku, no Pará - Créditos: Amazônia Real - 25.jul.2022/Amazon Watch

A alta valorização do ouro no mercado internacional alimentou o crescimento da mineração ilegal no Brasil, em grande parte na Amazônia, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira (6).

 

A mineração de ouro no Brasil, 14º maior produtor mundial do metal no ano passado, disparou desde que a pandemia de Covid levou os preços internacionais a níveis recordes.

 

Das 112 toneladas de ouro produzidas no Brasil em 2021, pelo menos 7% eram de origem ilegal e 25% de origem potencialmente ilegal, segundo estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

 

"De 2020 para 2021 houve um aumento de 44% na quantidade ilegal de ouro" produzida no país, afirma o estudo, que constata uma tendência similar nos primeiros seis meses de 2022.

 

Os altos preços estão alimentando a corrida pelo ouro na Amazônia brasileira, onde o desmatamento para mineração atingiu um recorde de 121 km² no ano passado, segundo o sistema de monitoramento por satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

 

O estudo da UFMG revela que pelo menos 23% do desmatamento para mineração na Amazônia, bioma considerado fundamental para conter as mudanças climáticas, ocorre dentro de reservas indígenas, áreas de conservação ambiental e outras terras protegidas por lei.

 

Garimpeiros ligados ao crime organizado são acusados de inúmeros abusos em comunidades indígenas, incluindo envenenamento de rios com o mercúrio usado para separar ouro de sedimentos e, às vezes, ataques mortais a moradores.

 

O estudo indica que 98% da mineração ilegal de ouro no Brasil está concentrada em três municípios do norte do Pará, afetando principalmente terras indígenas dos povos Kayapó e Munduruku.

 

Junto à crescente pressão internacional enfrentada pelo governo de Jair Bolsonaro devido à destruição acelerada da Amazônia, procuradores federais entraram com recursos judiciais para exigir que o governo adote controles mais rigorosos para combater a mineração ilegal.

 

Indígenas kayapó  monitoram o rio Pixaxá a partir de uma das base de monitoramento territorial da aldeia Baú, na Terra Indígena Baú, no sul do Pará. O território da aldeia Baú, que vive da coleta de produtos da floresta como a castanha e o cumaru, vem sendo invadido por garimpeiros
Indígenas kayapó monitoram o rio Pixaxá a partir de uma das base de monitoramento territorial da aldeia Baú, na Terra Indígena Baú, no sul  Lalo de Almeida/FolhapressMAIS 

 

Os promotores avaliam que a mineração ilegal causou entre janeiro de 2021 e junho de 2022 um custo de R$ 39 bilhões em prejuízos socioambientais, segundo o estudo. Esse valor quase alcança o lucro total obtido com a venda de ouro no mesmo período, de R$ 44,6 bilhões.

 

Já os impostos arrecadados pelo governo com a mineração do ouro representam menos de 2% do valor dos prejuízos.

 

"Na Amazônia, a gente tem um prejuízo que é coletivizado, socializado e o lucro dessas operações se concentrando em poucos atores", afirmao engenheiro Bruno Manzolli, principal autor do estudo da UFMG.




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