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Empresário financiou círculo de Bolsonaro enquanto fez lobby por mineração

Fabio Serapião e Ranier Bragon/Folha de São Paulo - 29/08/2022

O advogado e empresário Luís Felipe Belmonte, que atuou para tentar fundar o Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Bolsonaro iria integrar - Créditos: Foto: - André Coelho - 22.jan.2020/Folhapress

O empresário Luis Felipe Belmonte atuava junto ao Palácio do Planalto para legalizar a mineração em terra indígena no mesmo período em que repassou valores a ao menos três pessoas do círculo próximo de Jair Bolsonaro, indicam mensagens em posse da Polícia Federal.

 

Belmonte é aliado do presidente da República e foi um dos principais responsáveis por tentar criar a Aliança pelo Brasil, partido bolsonarista que acabou naufragando.

 

Os movimentos do empresário pela exploração das terras indígenas estão registrados em conversas que constam no inquérito que investigou os atos antidemocráticos de abril de 2020.

 

Belmonte foi alvo da PF na operação deflagrada a pedido do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, e teve celular e computadores apreendidos. As conversas ocorreram do final de 2018 ao primeiro semestre de 2020.

 

Os diálogos mostram que o empresário atuava para atrair lideranças indígenas ao mesmo tempo em que investia junto ao Planalto na produção de um texto para ser encaminhado ao Legislativo.

 

Na mesma época, mostram informações do inquérito dos atos antidemocráticos, Belmonte se aproximou de pessoas próximas ao presidente e efetuou repasses de dinheiro.

 

Um dos beneficiados foi Jair Renan, filho de Bolsonaro, que recebeu R$ 9,5 mil em 2020 para reforma do escritório de sua empresa. O caso é investigado em um inquérito da PF, para onde as mensagens também foram enviadas por autorização do ministro Alexandre de Moraes.

 

A advogada de Bolsonaro, Karina Kufa, também recebeu R$ 634 mil por meio de seu escritório. A Sergio Lima —um dos marqueteiros da campanha de Bolsonaro à reeleição— e seu sócio, Walter Bifulco, foi destinado R$ 1,5 milhão via empresas de comunicação.

 

Em agosto de 2019, quando os repasses para Kufa e para as empresas de comunicação já tinham sido efetuados, Belmonte recebeu da mulher, a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), uma mensagem com críticas aos gastos com a empresa de comunicação.

 

Na resposta para a esposa, o empresário cita Kufa e diz que o objetivo era se aproximar do Palácio do Planalto e viabilizar o "projeto dos indígenas".

 

"Projeto de comunicação: envolve três fatores, a) comunicação e imagem, propriamente dito; b) aproximação com o Planalto e viabilização do projeto dos indígenas. O Presidente já deu sinal verde e já fez comunicação pública. Estou trabalhando no caso com o governo e com a Karina, advogada pessoal dele; c) preparação do Portal."

 

Belmonte complementa: "Quanto aos indígenas, levei a proposta ao presidente. Foi pedido que eu prepare o decreto. Provavelmente ainda este ano começaremos a extração".




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