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Banco de Germoplasma de mineradora colabora para a conservação da biodiversidade na Amazônia

Portal OESTADONET, com informações da Temple - 14/07/2022

Sementes de castanha - Créditos: Foto Jânio Edwards/Divulgação

A Mineração Rio do Norte (MRN) está contribuindo para a conservação da castanha-do-pará (Bertholletia excelsa Bonpl. Lecythidaceae), por meio do Programa Banco de Germoplasma, criado em 2013.  Com o espaço, a mineradora desenvolve plantas mais produtivas e adaptadas às áreas que serão reflorestadas, contribuindo também para aumentar a produção de castanhas. O fruto da espécie é umas das principais fontes de alimentação e renda das populações tradicionais da Amazônia.

 

As coletas de sementes que compõem o Banco de Germoplasma da MRN iniciaram em 2014, a partir de ouriços de castanheiras. Essas amostras são oriundas de castanhais nativos de diferentes estados da Amazônia. No total, 260 árvores-matrizes desses castanhais serviram como base para a coleta de sementes, dando início a produção de mudas no Viveiro Florestal da empresa, de 2014 a 2016. De 2017 até 2020, mais de 10 mil castanheiras foram plantadas no Platô Almeidas, situado na Flona Saracá-Taquera.

 

“As sementes de Castanha-do-Pará podem demorar de 6 a 18 meses para germinar. Uma muda de castanheira que foi plantada em 2017, por exemplo, foi semeada em 2014 no Viveiro Florestal e permaneceu rustificando lá até atingir condições específicas para ser transferida para o local definitivo e, assim, ser parte das áreas reflorestadas. As mudas são cuidadas para crescerem saudáveis e fortes, aumentando a sobrevida delas em campo e com qualidade genética, ou seja, com maior resistência e produtividade. Temos uma taxa de aproximadamente 87% de sobrevivência das mudas no Banco de Germoplasma”, explica Talita Godinho, analista ambiental da MRN.

 

O Banco de Germoplasma é um programa voltado exclusivamente à conservação da castanheira do Pará. A bioeconomia é um dos muitos caminhos para o desenvolvimento sustentável, que concilia as urgências ambientais e sociais. O manejo da Castanha-do-Pará, por exemplo, é uma das atividades da bioeconomia que melhor aproveita esse recurso, movimentando a renda de milhares de famílias extrativistas da Amazônia, na produção de alimentos e comidas típicas na região.

 

“Há 19 anos eu trabalho com castanhas e amo fazer doces cristalizados para ajudar na minha renda. Faço coleta da castanha nas árvores, mas também compro na região para complementar os meus pedidos. É um produto muito consumido na região, o ‘carro chefe’ dos meus doces. A castanha é importante para gente, para o desenvolvimento local. Hoje, a produção de doces é uma das minhas principais fontes de renda junto com a piscicultura, então não pode faltar", salienta Francisca Gomes, da comunidade de Acapuzinho, localizada no município de Oriximiná, oeste paraense.

 

Em 2021, foi iniciado o monitoramento dos plantios de castanhais, visando auxiliar o desenvolvimento da espécie e estimular a produção de castanha nas áreas que se encontram em processo de recuperação florestal pela MRN. Frequentemente são feitas adubação, medições, marcações e retirada de espécies que competem por espaço, nutrientes ou luz solar. Essas informações contribuem para a formação de um banco de dados sobre as castanheiras, melhoramento genético de plantas e fontes para pesquisas e estudos. “As castanheiras, normalmente, atingem entre 30 e 50 metros de altura e de um a dois metros de diâmetro, e queremos que as nossas alcancem este nível, futuramente. Temos, em outros locais reflorestados no projeto MRN, castanheiras com 38-40 anos de plantio que já estão produzindo bons frutos”, pontua Talita.

 

Nos trabalhos de reflorestamento de áreas mineradas, a MRN também envolve comunidades ribeirinhas e quilombolas da região. Os comunitários fornecem uma variedade de sementes de espécies nativas para produção de mudas no Viveiro Florestal.  Em 2021, a empresa adquiriu mais de cinco mil quilos de sementes junto a estes comunitários. “Esse quantitativo de espécies engloba a castanha-do-pará que, hoje, está classificada pelo Ministério de Meio Ambiente como sendo uma espécie vulnerável à extinção. A empresa busca atender todos os requisitos legais e ambientais para conservação da espécie na região”, complementa a analista ambiental.

 




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