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'Cardeal da Floresta' reafirma, em Santarém, que igreja católica deve atuar em defesa do meio ambiente e de populações tradicionais da Amazônia

Portal OESTADONET - 07/06/2022

Dom Leonardo Stainer. 07.06.2022 - Créditos: Bena Santana

Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e cardeal recentemente nomeado pelo Papa Francisco, está em Santarém para participar do encontro que celebra 50 anos do "Documento de Santarém", carta assinada pelos bispos da Amazônia, em 1972, documento que traçou as diretrizes de atuação episcopal na região,  

 

À imprensa, Dom Leonardo Steiner falou que recebeu com surpresa a sua nomeação pelo Papa Francisco. Para ele, o gesto do Papa é uma expressão da presença do Santo Padre na região Amazônica. 

 

Dom Leonardo Steiner reafirmou ainda que os povos originários têm sofrido com o desmatamento e com o avanço do garimpo na região. Para ele, é preciso visibilizar essa realidade e demonstrar quais são os interesses econômicos e financeiros que estão na Amazônia. Por declarações incisivas a respeito do meio ambiente e de populações tradicionais, dom Leonardo está sendo chamado de "Cardeal da Floresta".

 

Dom Leonardo Steiner foi nomeado o primeiro bispo cardeal da Amazônia Brasileira. Ele integra uma lista de 21 novos cardeais nomeados pelo Papa Francisco. A consagração do religioso está marcada para o Consistório, que é a reunião dos cardeais, no dia 27 de agosto de 2022 em Roma.

 

Além de assumir funções administrativas no Vaticano, o cardeal é responsável pela escolha do novo Papa.

 

Santarém, 50 anos depois de sediar o primeiro encontro de Bispos da Amazônia, volta a ser palco da 4ª edição do Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal. O evento reúne, até a próxima quinta-feira (9), no Seminário São Pio X, mais de 100 pessoas, entre cardeais, bispos, presbíteros, Vida Religiosa, leigos e leigas, representantes dos povos indígenas e comunidades tradicionais. 

 

O encontro começou nesta segunda-feira (6) e faz alusão à memória do ‘Documento de Santarém’, o qual há 50 anos (1972), traçou linhas pastorais importantes para a missão da igreja na região amazônica.

 

O presidente do Regional Norte2 da CNBB, Dom Bernardo Bahlmann, destacou a importância do encontro realizado 50 anos e do Documento de Santarém produzido, “uma grande luz para a caminhada na Amazônia”, completou. 

 

Nesta terça-feira (7), foi realizada uma coletiva com a imprensa, que contou com a participação de Dom Mario Antonio, segundo vice-presidente Norte da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), irmã Marlene,  administradora pastoral da Arquidiocese de Santarém, Felício Pontes, Procurador da República, além de Dom Leonardo Steiner, primeiro bispo cardeal da Amazônia Brasileira, nomeado pelo Papa Francisco no último dia 30 de maio.

 

 


Dom Mário Antônio, irmã Marlene, procurador da república Felício Pontes e a jornalista Joelma Viana durante a coletiva de imprensa.

 

 

"A Carta de Santarém, de 1972, está atual. Ela pregava uma igreja com encarnação na realidade, uma evangelização libertadora e uma pastoral vigorosa, organizada, engajada com os povos indígenas, comunidades ribeirinhas em com os nossos fiéis da cidade e do interior”, destacou Dom Mário Antônio, presidente da Rede Eclesial Panamazônica (REPAM).

 

E completou: "Nossa Amazônia dever apreciada sob nossa beleza, mas também por seus valores de cultura e sabedoria para que a ação do ser humano seja algo sustentável".

 

Para a Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, presidente da Conferência Nacional dos Religiosos do Brasil, o encontro é “um momento para avançar para águas mais profundas”. A mensagem da religiosa é para dar continuidade ao processo de uma Igreja que cada vez mais se apresenta do jeito de Jesus.

 

Cardeal da Floresta

 

Dom Leonardo Ulrich Steiner tomou posse como arcebispo de Manaus em janeiro de 2020, ele assumiu o cargos antes ocupado por Dom Sergio Castriani, desde 2013. Anteriormente, Steiner ocupava o cargo de chefe da Igreja local como bispo auxiliar de Brasília.

 

Leonardo Steiner nasceu em 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha, Estado de Santa Catarina, na diocese de Criciúma (Brasil). Executou sua profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores em 2 de agosto de 1976 e foi ordenado sacerdote em 21 de janeiro de 1978.

 

Seguiu seus estudos na Filosofia e Teologia nos Franciscanos de Petrópolis; é bacharel em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade Salesiana de Lorena. Adquiriu a licenciatura e o doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma.




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