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Coordenador do MapBiomas diz que avaliação sobre causa da mudança da coloração do rio Tapajós ainda é preliminar

Portal OESTADONET - 27/01/2022

Cesar Diniz, coordenador do MapBiomas Mineração - Créditos: Reprodução/Youtube

O geólogo César Diniz, coordenador técnico do mapeamento da mineração e da zona costeira do MapBiomas, disse em entrevista ao programa Alô Comunidade, apresentado pelo radialista Raik Pereira, quarta-feira (26), que ainda não é possível afirmar se a mudança na coloração das águas do rio Tapajós em Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, tenha sido causada por sedimentos recorrentes da atividade garimpeira na região ou é resultado da subida do nível do Rio Amazonas, comum neste período de cheia. 

 

Ouça o podcast AQUI.

 

Segundo ele, somente após os resultados das análises fisioquímicas que estão sendo feitas nas águas coletadas do rio da região afetada pelo fenômeno será possível cravar com 100% de certeza o que realmente alterou a cor do Tapajós. Esse trabalho já começou e está sendo feito por pesquisadores e também pela Polícia Federal.

 

César Diniz coordenou o trabalho que rastreou, por meio de imagens de satélite, o rastro de  lama que possivelmente causou a alteração na cor das águas do Rio Tapajós na região de Alter do Chão. A nota técnica assinada por ele e por outros pesquisadores, inicialmente, apontou que a causa da coloração barrenta seria originária de garimpos existentes no médio Tapajós. 

 

Caso se confirme que a mudança da cor do rio Tapajós na região de Alter do Chão tenha sido causada por sedimentos da atividade garimpeira teremos, segundo ele, a constatação de um grave problema socioambiental. O pesquisador alerta que se ficar comprovado que existe traço de metal pesado nas águas, a balneabilidade de Alter do Chão, o consumo de peixe, o atrativo turístico, a recreação nas praias, tudo será afetado, uma vez que o rio não estará seguro para o uso das pessoas. 

 

“Se tem traço de metal pesado, a balneabilidade de Alter, o consumo de peixe, o atrativo turístico, tudo será cerceado. A quantidade de hotel vai reduzir, a frota de barco de passageiros vai ser diminuída. É um grave problema do ponto de vista ambiental, econômico e social”, alertou.

 

"Não é possível confirmar se o que nós temos em Alter do Chão é algo causado pelo garimpo ou é resultado da subida do nível do rio Amazonas. O que o nosso trabalho fez foi usar imagens de satélite para verificar quais seriam as possibilidades do fenômeno que poderia alterar a cor do Tapajós. No médio Tapajós, ali entre Jacareacanga e Itaituba, temos uma explosão garimpeira que não é de hoje, está ali desde 1970. O problema é que essa atividade vem crescendo muito nos últimos anos. Então, se somar toda a área garimpeira, a região que é desmatada e escavada para fazer extração de ouro, a dimensão dessa área somada a todas as cavas é do tamanho de Porto Alegre. Não é uma coisa pequena, isolada. Já é uma dimensão muito grande e tem aumentado”, explicou.

 

César Diniz explicou que na região do Baixo Amazonas, próximo a Alter do Chão, já há influência garimpeira. “Isso é inevitável. Os afluentes que jogam água no médio Tapajós estão tomados por sedimentos de garimpo. O evento que estamos vendo hoje e que foi deflagrado em dezembro, é exclusivamente garimpeiro, ou exclusivamente do Rio Amazonas? Ou é uma junção dos dois? Todos nós que temos relação próxima com o Baixo Amazonas, sabemos que no rio Amazonas o nível é flutuante. As cheias ocorrem de novembro a maio. Nesse intervalo um nível do Amazonas sobe e injeta água na foz do Tapajós. A água do rio Amazonas é barrenta. E quando sobe para a foz possivelmente é uma via de alteração da cor das águas. Mas, por enquanto, não é possível cravar com certeza o que está causando a mudança da coloração”, diz.

 

O pesquisador chama a atenção para a importância da preservação do meio ambiente, independente da cor partidária. Segundo ele, sem o fluxo cristalino das águas do rio Tapajós, todos perdem, economicamente, socialmente e ambientalmente. “A gente precisa agora com a seriedade do problema trazida à tona deixar de quantificar o resultado de um desastre e passar a monitorar antes que o desastre aconteça”, completa.

 

Para ele, a falta de um monitoramento desde quando se iniciou a atividade garimpeira na região só agravou a situação que hoje é presenciada pelos olhos do mundo com a mudança da coloração de um dos rios mais famosos da Amazônia. “A prevenção deveria ter sido feita lá atrás”, avisa.

 

Nessa região do Pará é onde se concentra a boa parte dos garimpos ilegais existentes no país. E a quantidade de garimpos é assustador. César afirma que na Amazônia não há garimpo legal, uma vez que a maioria dos garimpos existentes na região ou está dentro de área da União ou em áreas de terras protegidas por lei.




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