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Cheia recorde do Tocantins

Lúcio Flávio Pinto - 19/01/2022

Cheia do Tocantins castiga Marabá, no Pará - Créditos: Agência Brasil

Há 20 anos não chovia tanto no rio Tocantins quanto agora. Esta é uma notícia ruim. Mas pode ser pior. O nível das águas está três metros acima da cota de alerta, que é de 10 metros além da altura normal em Marabá, a maior cidade da região no Pará, com quase 300 mil habitantes. Na atual situação, já obrigou ao remanejamento de mais de três mil famílias.

 

O mais grave é que essa posição alarmante ocorre no início de janeiro, mas só deveria ser alcançada de fevereiro para março, quando ocorrem as grandes cheias no movimento cíclico de subida e descida a cada seis meses. Se a água continuar a subir na velocidade atual, a cheia de 2022 será a maior de todos os tempos, superando a de 1980, quando o Tocantins atingiu 17,42 metros. Toda cidade ficou submersa e a evacuação da população foi total.

 

Faltam menos de três metros para o rio bater o recorde registrado em todos os tempos na bacia do Tocantins-Araguaia. Se – e quando – isso acontecer, a Eletronorte não poderá mais reter as águas na barragem da hidrelétrica de Tucuruí, a segunda maior do país, que fica no baixo curso do rio, como ainda vem mantendo.

 

Às 7 horas da manhã de hoje, estavam chegando à enorme parede de concreto da usina 36.508 metros cúbicos de água por segundo (o equivalente a mais de 36 milhões de litros). Passavam pelas 23 comportas 35.966 m3. Ficavam retidas apenas 542 m3, menos de 2% do volume de águas.

 

Assim, a estatal preserva a montante da barragem, atenuando os efeitos já desastrosos sobre Marabá. Mas sacrifica a jusante da hidrelétrica, onde, na cidade de Tucuruí, a maior desse trecho, o rio subiu mais de dois metros e meio nos dois últimos dias.

 

A margem de manobra da empresa com o Tocantins vai diminuindo a cada dia, O reservatório, mesmo sendo o segundo maior do Brasil, com 3 mil quilômetros quadrados, está próximo de transbordar. Só restará então à concessionária da usina deixar o rio passar.

 

As “chuvas atípicas” que caíram fortemente nas cabeceiras dos dois rios e nas suas áreas de drenagem em Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará podem explicar a situação dramática. Mas o fenômeno começou em novembro e se intensificou em dezembro do ano passado.

 

A Eletronorte só emitiu o alerta em janeiro, quando, de fato, começaram as providências para evitar que a enchente crescesse tanto e causasse tantos prejuízos. Isso, no entanto, dependerá muito mais da natureza do que dos homens.

 

(Publicado no site Amazônia Real)




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