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Efeitos da garimpagem mudam cor do rio Tapajós em Aveiro e Itaituba

Portal OESTADONET - 14/01/2022

Em sentido horário: rio Tapajós em Itaituba, Fordlândia e Aveiro - Créditos: Erik Jennings

Geralmente nesse período do ano e nas épocas de fortes chuvas na região sudoeste do Pará, um fenômeno tem se mostrado muito recorrente e também preocupante: a mudança da coloração do Rio Tapajós. Em recentes registros obtidos pela reportagem do Portal OESTADONET, junto ao médico Eric Jennings, em áreas dos municípios de Aveiro, incluindo o distrito de Fordlândia, e Itaituba, a cor do rio está totalmente barrenta. Resultado dos impactos da mineração ilegal que há anos vem afetando o meio ambiente e o modo de vida dos ribeirinhos.

 

O fluxo intenso de balsas de garimpos, que despejam dejetos nas águas do Tapajós é algo que também contribui para o vaivém da maré em direção às comunidades. 

 

No ano passado, um levantamento inédito feito pelo InfoAmazonia em parceria com Earthrise Media, instituição sem fins lucrativos que utiliza imagens de satélite para avaliar danos ambientais, mostrou que a mancha de sedimentos gerada por garimpos de ouro na bacia do rio Tapajós avançou por 500 quilômetros entre Jacareacanga, no sudoeste do estado, até pouco antes de Santarém, no oeste do Pará. 

 

Nos últimos cinco anos, essa atividade disparou 70% na porção mais impactada da bacia, entre o rio Jamanxim e a Serra do Cachimbo. 

 

“Rios como Tapajós e Xingu estão recebendo uma carga de sedimentos maior devido ao desflorestamento e mineração em suas bacias. Quanto mais o solo estiver exposto, ou seja, maior desprendimento de sedimentos, maior a concentração de sedimentos nos rios”, explica Alice Fassoni-Andrade, doutora em Recursos Hídricos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

A quantidade absurda de sedimentos nos rios da região é decorrente da exploração de garimpos ilegais na Amazônia, que surgiram nos últimos anos. Os impactos não são apenas ambientais. Mas a poluição causada pela atividade garimpeira impacta diretamente na vida das populações tradicionais.

 

Segundo o levantamento, uma das evidências da relação entre estes dois problemas tem sido a floração de enormes massas de macroalgas, em especial o sargaço, no mar do Caribe. Estas marés marrons, que já afetam a economia de destinos turísticos famosos como Cancun, são alimentadas pela sobrecarga de nutrientes, sejam eles advindos do despejo de esgoto sem tratamento, fertilizantes e erosão causada por garimpos ou desmatamento. 

 

Nas imagens de satélites a Agência Espacial Europeia, a Earthrise Media, detectou áreas garimpeiras em 4.700 pontos da bacia do Tapajós no ano passado, contra 2.700 parcelas em 2016. 

 

Uma atividade que está longe de acabar, assim como suas consequências ao meio ambiente à vida dos ribeirinhos.




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