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Dona Gentileza, resgatada das ruas de Alter do Chão, durante a pandemia, é localizada pela família após ter deixado o Rio de Janeiro, havia 20 anos

Portal OESTADONET - 15/11/2021

Primeiras imagens entre Dona Gentileza com filhos e genro - Créditos: Portal OESTADONET

Célia Regina Pitta dos Santos, ou carinhosamente ‘dona Gentileza’, como ficou conhecida a simpática moradora de rua de Alter do Chão, distrito de Santarém, no Oeste do Pará, que foi resgatada por uma equipe de assistência social e levada para um abrigo durante a primeira onda da pandemia de Covid-19, em agosto de 2020, finalmente foi localizada pela família, que mora no Rio de Janeiro. O reencontro, mesmo virtual, ocorreu no último domingo(14).

 

 


Dona Gentileza, quando era moradora de rua em Alter do Chão/Adna Figueira

 

 

Graças ao Portal OESTADONET, a família de dona Gentileza ficou sabendo que ela além de se encontrar em Santarém, é uma das moradoras do Lar São Vicente de Paula, para onde foi levada após o abrigo provisório para moradores de rua em risco de vida durante a pandemia, ter sido desativado. O genro dela, tenente Fábio Cassiano Pontes, nunca desistiu de tentar localizar a sogra. No último sábado, ao vasculhar arquivos pela internet, tomou conhecimento das reportagem deste portal de notícias.

 

A idosa era considerada desaparecida pela família havia mais de 20 anos, inclusive alguns acreditavam que ela já estaria até morta, dado o tempo que ficaram sem informações sobre o seu real sumiço e atual paradeiro. 

 

‘Dona Gentileza’ foi uma das 77 pessoas em situação de rua que foram levadas para o abrigo provisório, instalado pelo governo do Pará e prefeitura de Santarém, na sede do São Raimundo (Panterão), no período mais crítico da pandemia no município. Pouco mais de um ano depois de seu fechamento, o espaço ainda proporciona momentos como esses, pois foi lá que algumas dessas pessoas que não tinham mais contato com familiares voltaram para suas famílias. Um desses casos foi o do senhor João Pereira da Silva, 80 anos, que reencontrou o filho e voltou para o Espírito Santo. Essa história também teve destaque no Portal OESTADONET.

 

E foi lá também que Célia Regina Pitta dos Santos foi identificada após um trabalho minucioso da equipe de Perícia Papiloscópica, da Polícia Civil do Pará, com o apoio da Secretaria de Assistência Social e das polícias civis dos estados do Rio de Janeiro e Distrito Federal.

 

‘Dona Gentileza’, que já protagonizou algumas histórias emocionantes, inclusive publicada aqui neste Portal (É possível decifrar a história de dona Gentileza?, de autoria de Adna Figueira - 06/08/2020 - https://www.oestadonet.com.br/noticia/17486/e-possivel-decifrar-a-historia-de-dona-gentileza/), escreve agora um novo capítulo de sua vida tão cheia de boas lembranças.

 

Morando atualmente no Lar São Vicente de Paulo, no bairro Santa Clara, em Santarém, no oeste do Pará, ‘Dona Gentileza’, desde o último domingp(14), vive momentos de grande euforia, quando teve contato com os filhos depois de todo esse tempo sem saber notícias deles. Foi um reencontro emocionante para ambos os lados. Por meio de videochamada, ela falou com os filhos Felipe Ferreira da Cruz e Vera Lúcia, e com o genro Fábio. 

 

E esse reencontro só foi possível graças à reportagem do Portal OESTADONET. Pesquisando na internet, o marido de Vera Lúcia, o tenente da Marinha, Fábio Cassiano Pontes, que atua no Departamento de Pessoal Militar da Marinha, no Rio de Janeiro, encontrou informações que o ajudaram a localizar a sogra que ele não conhecia, morando em Santarém. Casado há 13 anos com a filha de ‘Dona Gentileza’, o militar sempre teve a curiosidade de saber onde a sogra estaria, pois presenciava diariamente a aflição da esposa, Vera Lúcia, em saber notícias da mãe desaparecida. O casal se conhece há mais de 18 anos, e boa parte desse tempo, Fábio se dedicou a tentar achar a mãe da esposa. Enquanto alguns acreditavam que ela poderia já estar falecida, ele seguia com a dúvida sobre o seu paradeiro e não cessou as pesquisas. Mantinha em si uma esperança em localizar a sogra que ele nunca conheceu. 

 

 


Fábio, Vera e netos de dona Gentileza/àlbum de família

 

 

‘Dona Gentileza’, além dos filhos Felipe e Vera Lúcia, tem mais quatro netas. 

 

Pesquisando pelo nome da mulher na internet, chegou a uma reportagem publicada em agosto do ano passado pelo Portal OESTADONET, que mostrava uma moradora de rua que havia sido identificada pela polícia paraense naquela ocasião, depois de muito tempo sem identidade e conhecida apenas pelo apelido de ‘Dona Gentileza’. O nome era o mesmo!

 

Com essas informações e mais fotos que pegou do Portal OESTADONET, ele mostrou para a esposa que confirmou se tratar de sua mãe. A partir daí começou mais uma saga para tentar buscar informações com a instituição onde a mulher estava abrigada, o Lar São Vicente de Paulo. 

 

Fábio tentou contatou telefônico com a instituição, mas não obteve sucesso. Mandou e-mail e também não funcionou. Ficou sem resposta. Foi aí que, na noite do último sábado (13), entrou em contato com o jornalista Miguel Oliveira, editor-chefe do Portal OESTADONET, e conseguiu finalmente falar com os responsáveis pela instituição em Santarém.

 

"Muito obrigado mesmo. Estou casado com a minha esposa há 13 anos. A conheço há mais 18 anos. Nesses 18 anos, por diversas vezes, eu buscava tentar encontrar na internet alguma informação sobre o paradeiro dela. Eles achavam que ela já estivesse morta, mas essa informação sempre me causava uma desconfiança. Hoje, mais uma vez fui fazer mais uma busca já sem expectativa de resposta, mas aí tomei um susto quando eu vi o nome dela no teu veículo. Fiquei uns 20 minutos lendo a reportagem, vendo a foto, cruzando as informações, que ela morou em Brasília e no Rio de Janeiro. Abri a sequência de fotos que está no site e mostrei pra minha esposa e pro irmão dela e eles não tiveram dúvida que se tratava da mãe. Ficamos todos muito felizes. Obrigado mesmo", agradeceu Fábio.

 

Pela primeira vez, em mais de 20 anos, mãe e filhos finalmente viram seus rostos e trocaram as primeiras palavras, no dia segunte, através da coordenadora de assistência social do Centro Regional de Governo do Baixo Amazonas(CRGBA), Soliente Aguiar Souza que, desde que dona Gentileza está no asilo, a visita todos os meses.