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Barões do agronegócio: Quem planta vento, colhe tempestade!

Lúcio Flávio Pinto - 01/09/2021

Créditos: https://blog.eqseed.com

O sopro que vem de longe.

 

O agronegócio brasileiro descobriu, finalmente, que não pode continuar numa bolha de superfaturamento à revelia do dano nacional. Prova disso é o manifesto que divulgou ontem para defender a democracia, a estabilidade política, e o respeito às instituições, à pluralidade e ao direito. Em outras palavras: criticando o presidente da república por ele ser uma fonte permanente de turbulência, de imprevistos, de agressões e de insegurança jurídica. Os críticos de Bolsonaro, mesmo os situados mais à esquerda, endossariam os termos do documento do setor mais dinâmico, rentável e moderno da economia brasileira. E mais internacionalizado também, para o mal e para o bem.

 

Não significa que tenha mudado radicalmente. O que dá mais valor à iniciativa é sua própria existência. Voltado para a exportação, o agronegócio desabasteceu a mesa do cidadão brasileiro. Não exatamente por faltar o produto nas prateleiras dos supermercados e lojas do varejo. Mas porque os produtos essenciais encareceram demais, inibindo por consequência o consumo. A prioridade à exportação desenfreada, sem o pressuposto da formação de estoques reguladores (que é tarefa estatal), desequilibrou a economia doméstica.

 

Os exportadores de commodities poderiam nem ligar para isso, com mercados abertos e o dólar no topo. Mas começaram a receber de volta golpes dos bumerangues lançados do Brasil para o mundo. O manifesto não esconde que a reação do agronegócio resulta da péssima imagem que Bolsonaro está projetando do Brasil, que começa a superar os ganhos atuais.

 

Sanções informais, aplicadas em função do desgoverno e do descontrole do governo federal, vão se formalizando com o debate e os efeitos atribuídos ao aquecimento global. O Brasil ficou em posição incômoda com sua desvairada destruição de recursos naturais, especialmente o desmatamento e as queimadas de floresta amazônica.

 

Desastres naturais cada vez mais frequentes e graves colocaram a questão ambiental definitivamente no topo da agenda planetária, quaisquer que venham a ser as suas circunstâncias. E a desastrada retirada americana do Afeganistão, sem uma estratégia capaz de impedir o avanço tão rápido dos grupos islâmicos mais radicais, reforça a posição da China no mapa mundi do poder mundial e da Rússia numa patamar mais elevado do que o atual. E a China, como se sabe, é a maior e - apesar de tudo - a melhor parceira comercial do Brasil, pensem o que quiserem os estúpidos Bolsonaros, do 04 ao 00. Economicamente, eles se tornaram dispensáveis. Politicamente, uma ameaça.

 

O agronegócio resolveu bancar seus interesses de mais longo prazo, deixando de olhar apenas para seus campos de produção e seus caixas. Verão de outra maneira a natureza? Esta é a questão ainda em aberto. Mas se mostraram muito mais vitais do que a indústria e o sistema financeiro, acovardados pela ameaça do governo de retirar o Banco do Brasil e a Caixa da federação dos banqueiros, dependentes de subsídios estatais para diminuir seus custos e ampliar seu lucro. Um papelão.

 

Se os produtores de commodities vinham dando causa aos dilemas econômicos internos do país, pode ser que agora ajudem um pouco a resolver seus problemas políticos. O paradoxo desta vez, pode vir a ser positivo, se uma onda de retrocesso não soprar sobre o devastado território nacional.




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