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Cacilda Becker: 100 anos

Lúcio Flávio Pinto - 11/04/2021

Cacilda Becker deixou “Esperando Godot” para eternizar o mito. A atriz interpretava o vagabundo Estragon Dedoc . Em 1969, a atriz sofreu um derrame no intervalo da apresentação da peça de Samuel Beckett e morreu 38 dias depois - Créditos: Veja

Um século do nascimento de Cacilda Becker Yaconis. Mais de meio século da sua morte. Repórter do Diário de S. Paulo e do Diário da Noite, em 1969, eu estava sentadinho, emocionado, à espera de um médico para me dar informações, na vasta antessala em que ainda estava o corpo de Cacilda, no hospital São Luís, em São Paulo, quando chegou a sua irmã, Cleide Yaconis, também atriz.

 

Ela não me viu. Seguiu para a janela. Lá estava quando chegou Walmor Chagas, segundo marido de Cacilda, de quem se separara também. Cleide se vira. Walmor também a observa, com a porta ainda aberta. Fecha-a e segue na direção de Cleide com passos lentos.

 

Quando estão bem próximos, ele a abraça e ela retribui. Ficam abraçados, em comunhão absoluta, por algum tempo. Quase me levanto e bato palmas. A cena era absolutamente verdadeira, mas verdadeiramente teatral. Eles não deixaram de ser atores. Um grande ator nunca deixa. Daí a maravilha de vê-lo na função dentro e fora do palco.

 

Se pudesse, Cacilda teria se levantado para também aplaudir a intensidade da solidariedade dos dois. Um momento inesquecível, que relembro para partilhar a homenagem que a grande dama do teatro (e da televisão) está recebendo merecidamente.




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