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Ação Civil Pública da Promotoria de Marabá, que envolve ex-governadora Ana Júlia e Vale, é uma acusação política?

Lúcio Flávio Pinto - 25/02/2021

Créditos: A ex-governadora Ana Júlia Carepa/ Arquivo

O promotor público Alan Pierre Chaves Rocha, do Ministério Público do Estado em Marabá, ajuizou, no dia 18, uma ação civil pública contra sete denunciados, incluindo a ex-governadora Ana Júlia Carepa. Ela é acusada pelo crime de improbidade administrativa, por ter criado um artifício fraudulento para evitar a licitação pública e vender diretamente à Vale uma gleba de terras no distrito industrial de Marabá, onde se implantaria a Aços Laminados do Pará, sua controlada, conforme matéria divulgada ontem pela assessoria do MP.

 

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O promotor diz que o Estado desapropriou essa área, em 2003, pagando 324,5 milhões de reais, e a vendeu por R$ 13 milhões. Pode ser realmente um escândalo, mas o promotor se limitou a atualizar o valor da desapropriação, atualizando o preço dos 1.348 hectares (cuja área não dimensiona), enquanto manteve o valor histórico dos R$ 13 milhões de 2009. Assim, o cálculo está distorcido. O promotor terá que refazer essa parte, para não parecer tendencioso.

 

Além disso, na maior parte da sua petição, ele repete os mesmos argumentos, trocando apenas os adjetivo exclamativos que os acompanham, sem incorporar ao seu texto os dados que devem constar dos autos do processo, quando nada por ser volumoso. Sua peça, assim, fica frágil, inconvincente, mesmo que a Vale tenha sido favorecido e a transação seja irregular. O que pode ter levado a ex-governadora a interpretá-la como sendo uma iniciativa política.




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