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Crime. Qual crime? E o criminoso?

Lúcio Flávio Pinto - 27/09/2020

Se uma organização criminosa "continuar atuando impunemente, o futuro do Pará ficará comprometido de forma irreversível. Esses criminosos não dormem. Trabalham dia e noite pelos seus interesses, prejudicando a população do alerta".

 

Essa grave combinação de denúncia e advertência é feita por O Liberal na sua edição de hoje. O pequeno texto que trata do assunto não está na primeira página do jornal nem mereceu uma reportagem. Foi abordado apenas pela coluna Repórter 70, em duas notas.

 

O jornal da família Maiorana diz que "poderosos lobistas" estão atuando em vários negócios, "para tirar facilidades do Estado, cobrando alto pelo 'propinoserviço'. Um dos negócios seria a parceria entre a Cervejaria Paraense, de Belém, e a Cidade Império, de São Luís do Maranhão, controlada pelo grupo Petrópolis, do Rio de Janeiro.

 

A associação seria para a produção da cerveja maranhense nas instalações industriais da Cerpasa em Belém. Já a fábrica paraense utilizaria a rede de distribuição do grupo fluminense para chegar à região Sudeste. de maior consumo, já que 90% da sua produção é vendida no Norte e Nordeste.

 

Para O Liberal, o objetivo verdadeiro seria encontrar "uma maneira de fraudar os fiscos paraense e nacional". A Cerpa é a maior devedora de ICMS no Pará, com uma dívida acumulada de 3 bilhões de reais.

 

A outra manobra lesiva seria a venda da Biopalma, empresa produtora de óleo de palma, "por 1 dólar para um empresário sem condições econômicas, nem financeiras de arcar com o negócio".

 

Por trás das transações, o grupo lobista, que "conseguiu mais uma lambança usando o Estado em detrimento da população e do futuro do Pará".

 

O Repórter 70 diz ter apurado "que o Palácio do Governo ainda não sabe de nada. Quando souber o Diário Oficial vai precisar de páginas extras para tantos processos de investigação. Resumindo: é o Império do crime".

 

Apesar de tantos adjetivos negativos, a coluna não dá o nome dos intermediários, não diz qual é a sua empresa e omite o fato de que a operação foi amplamente divulgada nesta semana pela imprensa, principalmente a mais recente, sobre os dois grupos cervejeiros, com muitos dados.

 

Como na revista Maranhão Hoje:

 

As cervejarias Cerpa e Cidade Imperial firmaram contrato de parceria para a industrialização da linha de cervejas Império na unidade fabril da Cerpa localizada em Belém (PA). O acordo tem validade de dois anos, e começou a ser costurado depois que a consultoria Ejafac, liderada por Elias Azevedo, foi contratada pela Cerpa (em junho deste ano).

“O acordo foi benéfico tanto para a Cerpa, quanto para a Cidade Imperial, como deve ser, em última análise, uma parceria. Inicialmente faremos a industrialização das cervejas da marca Império em nosso parque industrial de Belém, mas o acordo poderá ter desdobramentos que melhorarão a presença da Cerpa nas regiões Sul e Sudeste com uma futura parceria de distribuição”, comentou Azevedo. 

O acordo atende a necessidades complementares das duas empresas envolvidas. A Cidade Imperial tem registrado aumento da demanda por seus produtos da linha Império acima de sua capacidade de curto prazo de aumento de produção. A construção de uma nova unidade fabril na região Norte ou Nordeste, que atenda aos requisitos de qualidade da marca, pode demorar até dois anos.

A unidade fabril da Cerpa em Belém foi projetada para atender a uma demanda maior do que a atual, já prevendo a conquista de marketshare dos produtos Cerpa em todas as regiões do país. “O contrato com a Cervejaria Cidade Imperial garante melhor rentabilidade a nossa planta de Belém, até que nossos planos de reestruturação e de aumento de participação nos mercados do Sul e Sudeste estejam concluídos”, completou o executivo da Ejafac.

Jutta Seibel, acionista majoritária e Presidente da Cerpa, acredita que o plano de reorganização da companhia esteja sendo bem executado, e também enxerga como positiva a assinatura do contrato com a Cervejaria Imperial. “O aumento de produção deve puxar, também, um aumento de produtividade. Esse ciclo virtuoso gera eficiência e fortalece os pilares da nossa empresa. Juntas pelos próximos dois anos, Cerpa e Cidade Imperial serão mais fortes”, analisa a acionista.

O advogado Glaucius Morais, diretor da Cervejaria Cidade Imperial e responsável pelas negociações com a Cerpa, vê a concretização desta parceria como o primeiro passo para que seja atingido o objetivo de consolidar a marca Império nas regiões Norte e Nordeste.

“A Cerpa tem um parque industrial de primeira linha, que atende às mais severas exigências de qualidade do mercado. Isso foi fundamental para a escolha da empresa como nossa parceira, já que a Cervejaria Cidade Imperial só produz cervejas de puro malte. A qualidade da água da região (a fábrica da Cerpa fica na região da Bacia Amazônica) também foi um fator decisivo na nossa escolha”, comentou Morais. As duas empresas não divulgarão os volumes de produção previstos na negociação.

Fundada em 1966 pelo imigrante alemão Konrad Karl Seibel, a Cerpa é uma das cervejarias mais tradicionais do Brasil. Baseada na bacia amazônica, a empresa aposta na pureza da água da região para garantir a fabricação de cervejas com o mais alto padrão de qualidade. Além da marca Cerpa Prime, líder em vendas da companhia, a Cerpa fabrica as cervejas Tijuca, Cerpa Export, Gold, Nevada e Draft Sound. A empresa também fabrica o energético Amazon Power e uma completa linha de refrigerantes Cola, Guaraná, Laranja, Uva e Limão.

 

Ou esta notícia, do Valor Econômico:

 

A Cervejaria Paraense (Cerpa), fabricante tradicional de cerveja controlada pela família Seibel, contratou a consultoria Ejafac para fazer a reestruturação da empresa. A consultoria participou da reestruturação de empresas como Bombril, Copel Colchões, Frigorífico Frivasa, Lacca Móveis e Grupo Beto Carreiro.

A intenção inicial da Cerpa é encontrar um parceiro para fortalecer a distribuição de cervejas em todo o país, bem como a produção de suas marcas. “A crise provocada pela covid-19 diminuiu em 30% o nosso faturamento. Estamos reorganizando alguns dos pilares do negócio para que possamos costurar novas parcerias”, disse em nota Helga Jutta Seibel, president da Cerpa.

A Cerpa foi fundada em 1966 em Belém pelo alemão Konrad Karl Seibel. A empresa produz 1,5 milhão de hectolitros de cerveja por ano, emprega 400 pessoas e gerou no ano passado um faturamento aproximado de R$ 2 bilhões. Dona das marcas Cerpa Export, Cerpa Prime, Tijuca, Draft Sound, Gold e Nevada, além de refrigerantes e do energético Amazon Power, a empresa vende hoje 80% da sua produção na região Norte. Outros 10% são vendidos no Nordeste e o restante é distribuído para o resto do país.

“O Sudeste é a maior região consumidora de cerveja, mas hoje transportar a bebida de Belém para o Sudeste gera um custo proibitivo”, disse Elias Azevedo, CEO da Ejafac e executivo responsável pela reestruturação da Cerpa. Azevedo disse que realiza mudanças na cervejaria na área comercial e em controles internos enquanto busca parceiros para ampliar sua capacidade produtiva.

De acordo com ele, a Cerpa mantém negociações em estágio já avançado com o novo parceiro, cujo nome é mantido em sigilo. O Valor apurou que a empresa mantém negociações com a Ambev, maior cervejaria do país e que já fez parceria com a Cerpa para distribuição de bebidas entre 2010 e 2016. Procurada, a Ambev, que está em período de silêncio, não quis comentar o assunto.

Analistas de mercado consideram que uma parceria com a Ambev pode ser alvo de questionamentos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por concentração de mercado. A Ambev fechou o ano passado com 60,8% de participação no mercado de cerveja, de acordo com dados da Nielsen. A melhor opção, na visão de analistas, seria um acordo com a Coca-Cola, que distribui as cervejas da Heineken, mas cujo contrato vence em 2022. Procurada, a Coca-Cola afirmou que não negocia acordo com a Cerpa.

Azevedo disse que a Cerpa não procura um sócio no momento. “Não está nos planos da família vender o controle da Cerpa”, disse o executivo. Por ter uma participação de mercado relevante na região Norte, a Cerpa já sondada no passado por empresas como Ambev, Grupo Petrópolis, Heineken e fundos Tarpon, Pátria e Advent.

Mas problemas na Justiça por questões tributárias e disputas entre familiares afastaram possíveis interessados. Em 2008, seu fundador foi para a Alemanha para um tratamento de saúde, e morreu lá em 2012. Em seu testamento, determinou que seu filho e único herdeiro, Konrad Franz Seibel, só poderia comandar a empresa após completar 24 anos ou terminar a faculdade de Economia, que cursava em Londres. Sua mãe, Helga Jutta Seibel, conseguiu na Justiça em 2008 autorização para tocar a Cerpa enquanto o filho não cumprisse os pré-requisitos previstos no testamento.

Além disso, a cervejaria enfrentou por anos acusação de cometer crimes tributários. De acordo com a Secretaria da Fazenda do Pará, a Cerpa é uma das maiores devedoras de impostos do Estado, acumulando uma dívida fiscal da ordem de R$ 2 bilhões. Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da cervejaria. De acordo com a Polícia, foram apreendidos documentos que serão usados na apuração de possíveis irregularidades fiscais na empresa.
Em nota divulgada à época, a Cerpa afirmou que desde setembro de 2014, recolhe mensalmente 4% do seu faturamento bruto ao Estado do Pará, para fins de amortização de supostas dívidas. Em março deste ano, o Tribunal de Justiça do Pará absolveu a diretoria da Cerpa S/A pela acusação de crimes de ordem tributária.
Azevedo disse que a Cerpa não tem irregularidade fiscais. “A empresa possui algumas dívidas com bancos, que estão sendo tratadas de forma adequada, sem atrasos”, afirmou o executivo.
Azevedo acrescentou que a Cerpa começou a fazer algumas mudanças na parte comercial, para melhorar a sua rentabilidade. A empresa migrou parte da produção de cerveja em garrafa para o envase em lata, para atender a demanda maior em supermercados e hipermercados durante a pandemia de covid-19. A cerveja em garrafa é consumida principalmente em bares e restaurantes, que ficaram fechados nos últimos meses. A Cerpa fortaleceu parcerias com varejistas como Atacadão e com o Grupo Mateus, que opera no Norte e Nordeste. A empresa também negocia acordos de distribuição com redes do Sudeste. “A marca Cerpa é reconhecida no mercado, pode ter uma penetração maior no mercado brasileiro”, disse Azevedo.

 

Logo, o governo do Estado deve estar ciente do assunto. Ficaria mais bem informado se O Liberal praticasse jornalismo, o que o jornal dos Maiorana não fez. Fez o quê, então?




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