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A infinita maldade humana

Lúcio Flávio Pinto - 12/02/2020

Duas das muitas características deste nosso incrível tempo me impressionam, me assustam, me intimidam e exaurem minha capacidade de compreensão, até mesmo de acompanhamento: a tecnologia humana e a maldade humana. Correndo à velocidade da luz cada uma delas numa faixa própria, parecem competir entre si nessas paralelas infinitas, sem qualquer horizonte visível ou imaginável.

 

No curso de uns 60 anos de vida consciente, vejo se concretizarem sonhos, fábulas, utopias e o impensável, o simplesmente além de mim e de tudo que poderia caber no meu cérebro – o horror, o horror, de Joseph Conrad. A tecnologia é o deus ex-machina do século XXI. Ela inventa e reinventa vidas.

 

Será menor a elasticidade da maldade? Parecia que com os campos de extermínio dos nazistas, o massacre dos bolcheviques na Rússia, sobretudo na era stalinista, a grande fome (e a revolução cultural) de Mao na China, com seus morticínios expressos em dezenas de milhões, mais as atrocidades que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, com os Pol Pot, os Idi Amin et caterva, nada de pior poderia acontecer à humanidade.

 

Talvez não na forma de hecatombe social. No entanto, será menos trágico o morticínio selvagem, brutal e chocante em doses homeopáticas, individualizadas, em dramas pessoais, inteiramente novas e inéditas na história da humanidade, como constatamos em cada novo dia de noticiário da imprensa (com os trogloditas querendo matar o mensageiro das más notícias, que berram pelas redes sociais).

 

Talvez haja uma nova maldade no mundo, uma maldade de novo tipo, ainda à espera da análise microscópica num cenário macroscópico. A maldade gerada pela mais refinada tecnologia, materializada no telefone celular como a chave do tamanho para penetrar num mundo miniaturizado numa escala inacreditável. A digitalização do acesso a tudo é mais do que um movimento dos artelhos dos dedos.

 

É a pressurização do cérebro, do coração, da alma, das mais íntimas entranhas armazenadoras de conhecimento, informação, sentimentos, sensações. A digitalização, com essas características, é a dessensibilização extrema, radical. A redução do homem a máquina, sem o trauma que a máquina mais visível e explícita causava, hoje ingênua e singela. É o sangue tecnológico que entra nas nossas artérias e nos torna desumanos, expulsando o genes herdado, natural.

 

A internet é o novo mundo que nem Orwell poderia imaginar. O celular é a revolução dos bichos. Os bichos somos nós.

 

Leiam o que escrevi como a apresentação da notícia que a seguir reproduzo, do G1 de Mato Grosso de hoje. Uma tentativa de puxar o ar para tentar continuar.

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Os pais da bebê de 6 meses que foi esquartejada e jogada em um poço, em Tabaporã (MT), foram indiciados e tiveram a prisão temporária convertida em preventiva. O inquérito, conduzido pelo delegado de Tabaporã, Albertino Félix de Brito, foi encaminhado ao Fórum da Comarca Municipal na última quinta-feira (6).

G1 não localizou a defesa dos suspeitos.

De acordo com a Polícia Civil, Tiago Silva Lacerda e Raquel Araújo Dias devem responder por homicídio qualificado, maus-tratos, destruição e ocultação de cadáver.

O casal está preso em Jataí (GO) e aguarda transferência para Mato Grosso.

O crime, segundo a polícia, ocorreu no dia 27 de dezembro. Testemunhas disseram ter visto os suspeitos perto do Rio Sereno, em Tabaporã, com um carrinho de bebê.

Depois, eles foram vistos sozinhos, sem a criança e sem o carrinho. Mais tarde, Tiago e Raquel foram flagrados pedindo carona na estrada. O carrinho da criança foi encontrado às margens do rio.

Já o casal foi localizado em Jataí (GO). A polícia informou que eles confessaram o crime e indicaram o local onde enterraram partes do corpo da filha.

Com a ajuda de um cão farejador do Corpo de Bombeiros, foram encontradas três partes do corpo da bebê. As duas primeiras foram dias após o crime dentro do poço.

terceira parte, que seria o crânio da vítima, foi encontrada no dia 16 de janeiro após os bombeiros esvaziarem o poço.

Maus-tratos

A bebê morava com a família em Tabaporã e, segundo o Conselho Tutelar, os pais já haviam sido denunciados por maus-tratos.

De acordo com as investigações, a primeira agressão ocorreu quando a criança tinha 28 dias de vida.

Segundo o Conselho, a menina chegou a morar em um abrigo da cidade aos 3 meses de vida. No entanto, os pais entraram na Justiça e conseguiram ficar com a guarda da filha.

O Conselho Tutelar afirmou que fazia visitas periódicas na casa da família.

Vizinhos denunciaram os pais novamente em janeiro. Eles afirmaram que a casa onde a família morava estava abandonada.

Logo depois da denúncia, a equipe da Polícia Civil de Tabaporã iniciou as investigações, identificando testemunhas que contribuíram com informações sobre o caso.




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