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Suspeita de uso excessivo de agrotóxico põe em xeque a Açaí Amazonas, em Óbidos e Alenquer

Fábio Zuker - Site Amazônia Real, com redação - 24/10/2019

Flagrante de aplicação de veneno. Na fotografia os funcionários usam agrotóxico na Fazenda Macupixi - Créditos: Foto: Fábio Zuker/Amazônia Real

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alenquer, Joao Gomes, e vários comunitários da região do lago macupixi, denunciaram na sessão de ontem(23)  da Camara de Vereadores do Município de Alenquer os impactos e ameaças feitas pela Empresa Polpas da Amazonia ( Açaí da Amazonia) com uso excessivo de agrotóxico e seguranças armados.

 

No 21 de agosto de 2019, o salão da paróquia Pio XII cerca de duzentas pessoas reuniram para  debater sobre o uso de excessivo de agrotóxico, os impactos socioambientais do veneno e a atuação da empresa Açaí Amazonas (antes chamada de Polpas do Baixo Amazonas), de propriedade do Grupo Vacarro, e que se classifica no agronegócio como “a mais moderna e sustentável produtora de açaí do mundo”.

 

No oeste paraense, a empresa Açaí Amazonas tem um longo e conflituoso histórico de atuação desde o início dos anos 2000: acusações de concentração fundiária, desmatamento; práticas que, segundo os moradores locais, ameaçam as comunidades de agricultores tradicionais.

 

Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) informou, por meio da assessoria de imprensa, que o promotor de Justiça de Alenquer, Diego Libardi, acompanha as denúncias da população da comunidade de Mediã referentes ao uso de agrotóxico pela empresa Açaí Amazonas, porém irá se pronunciar somente após o término das investigações, que correm em sigilo.

 


Antônio-Sena segurando peixe apodrecido no Lago do Macupixi. Foto Fábio Zuker/Amazônia Real

 

O Ministério Público Federal no Pará diz por meio de sua assessoria de imprensa, que não existe investigação ou ação que cite a empresa Açaí Amazonas ou os empresários Márcio Vaccaro e Eloy Luiz Vaccaro em crimes relacionados ao uso irregular de agrotóxico, pesticida ou defensivo na comunidade Midiã, em Alenquer. No entanto, o MPF informou que há no órgão ao menos cinco processos que citam esses empresários e a empresa em danos ambientais.

 

A Açaí Amazonas se orgulha de trabalhar com reflorestamento em áreas onde o açaí não é viável, no estímulo da criação de abelhas e utilização do caroço do açaí para geração de energia. A empresa goza de certificados verdes emitidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unido, e o Br-Bio-141 Brasil, que respaldam no mercado internacional a sua produção de mais de 1.400 hectares de açaí irrigado, divididos em duas fazendas: Fazenda Mangal e Fazenda Macupixi.

 

Um dos proprietários da Açaí Amazonas é o empresário Márcio Vaccaro. A empresa, com sede em Óbidos, produz conservas de frutas visando o mercado nacional e internacional. Foi comprovada, segundo o MPF, a extração ilegal de madeira na área da UC  (Unidade de Conservação) que fica na região de Óbidos.

 

Nessa ação na justiça federal, o MPF conseguiu o bloqueio de bens nos valores de R$ 2,8 milhões de Márcio Vaccaro, de seu pai Eloy Luiz Vaccaro, de um terceiro acusado e da empresa Polpas do Baixo Amazonas Ltda. Na ocasião, Eloy Vaccaro foi um dos presos pela Polícia Federal. O processo de crime contra a flora ainda tramita na Vara Federal de Santarém.

 

Em 2016, a empresa Açaí Amazonas foi condenada a demolir um porto que funcionava sem licença e a reparar os danos ambientais no município de Óbidos (PA).

 

A matéria completa do site Amazônia Real você lê AQUI.




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