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Os golpes de Bolsonaro

Lúcio Flávio Pinto - 14/07/2019

O presidente Jair Bolsonaro é o personagem mais surpreendente que já ocupou o assento de presidente da república no Palácio do Planalto, mesmo depois de personagens como Jânio Quadros, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco. O preocupante é que ele só acrescenta surpresas negativas, tão negativas quanto inéditas na história da república.

 

A mais recente dessas bombas é a eventual indicação do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o principal cargo não só na diplomacia brasileira como de qualquer país do planeta.

 

A simples cogitação do fato assusta. Primeiro, por ser o primeiro caso de nepotismo dessa importância na história nacional. Segundo, pela idade do personagem, que só agora chegou ao mínimo que lhe permite ser nomeado para o cargo. Terceiro, pela inexperiência. Quarto, por sua posição caudatária da política externa americana sob o comando de Donald Trump.

 

O Brasil já mandou representantes americanófilos para Washington. Mas era gente do estofo de Osvaldo Aranha, Roberto Campos, Vasco Leitão da Cunha e Walther Moreira Salles. Junto a eles, os Bolsonaro – tanto o pai quanto os filhos, somados e multiplicados pelo fator mais intensivo que se pudesse usar – são insignificantes.

 

Para superar todos os presidentes que o país já teve, só falta Jair Bolsonaro renunciar antes do dia do soldado, durando menos do que os seis meses de Jânio. Mas essa possibilidade inexiste, desde que ele sobreviveu ao atentado quase mortal que sofreu quando ainda era candidato. O golpe que Bolsonaro parece estar armando com seus atos imprevisíveis, surpreendentes e chocantes, é de outro timing.




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