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Encontrado em Óbidos artefato que pode pertencer a povos primitivos do Baixo-Amazonas

Weldon Luciano - 14/05/2019

Um artefato encontrado em Óbidos, no sábado, 11 de maio, durante a perfuração de um poço no bairro São Francisco, pode ser uma descoberta arqueológica rara. O fragmento de rocha com rostos esculpidos estava a 7 metros de profundidade e foi recuperado por uma equipe da Secretária Municipal de Cultura com o apoio de membros da Associação Cultural Obidense e a Polícia Federal. Trata-se de uma estatueta indígena conhecida como ídolo, originalmente, um objeto ritualístico que representa materialmente uma entidade espiritual ou divina, e frequentemente é associado a ele poderes sobrenaturais. A peça deve ser analisada pelo departamento de arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e ficará sob a guarda do Museu Integrado de Óbidos.  
 
 
“Alguns chamam estas estatuetas de ídolos amazônicos e estima-se que tenham sido feitas por povos muito antigos da região, mais precisamente na região do Rio Trombetas. Elas podem estar relacionadas ao uso dos antigos pajés para rituais xamanicos e aparenta ainda que estava em fase de acabamento, por isso pode ser considerada como um pré-ídolo. Ainda não estava pronto”, analisou Camila Jacome, especialista em arqueologia na região do Trombetas. 
 
 
Aparentemente, a estatueta foi esculpida em argilitos, rochas sedimentares maciças e compactas, sendo compostas por argilas litificadas, isto é, argilas compactadas e exibindo orientação dos minerais foliados.
 
 
Achado arqueológico importante 
 
 
As fontes históricas indicam que, mais de duas dezenas de grupos indígenas habitavam a região da bacia dos rios Nhamundá e Trombetas, onde os que mais se estacaram foram os Konduri, os Bobuí e os Jamundá. Nesses sítios foi identificada a presença de dois estilos cerâmicos que definiram duas ocupações: Pocó e Konduri. A ocupação Pocó, a mais antiga, foi datada entre 65 AC a205 DC. 
 
 
A ocupação mais recente denominada de Konduri foi datada entre 1000 e 1400 DC. Descobrir maiores detalhes sobre quem eram esses povos ajuda a recontar não só a história da região antes da presença europeia, como também ajuda a esclarecer como se deu a ocupação humana na Amazônia. 
 
 
O artefato encontrado é importante para a arqueologia da região. Até hoje nenhum objeto deste tipo foi encontrado em um sitio arqueológico contextualizado. Não se consegue datar o objeto em si, mas o local aonde ele está, por meio de vestígios encontrados próximos. Esse pode ser dos primeiros a serem datados.
 
 
“Se o sítio onde o objeto foi encontrado for estudado é possível estabelecer uma datação relativa, ou seja, se estabelecer o tempo por meio das evidências encontradas no entorno e dizer aproximadamente a data de fabricação dele. Pode ser a primeira vez que a gente tenha uma estatueta lítica datada em um contexto arqueológico. Realmente, pode se tratar de um achado muito importante”, conclui a arqueóloga Camila Jacome.


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