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100 dias: E a crítica?

Redação - 11/04/2019

Lúcio Flávio Pinto.

 

Talvez Helder Barbalho tenha sido o governador do Pará que mais trabalhou nos primeiros 100 dias da sua gestão, completados hoje. Essa intensa atividade começou a se delinear já na posse, no primeiro dia de 2019. A solenidade oficial foi em Belém, mas ele foi até Marabá e Santarém, no mesmo dia, para atos simbólicos, como nenhum governador fizera.

 

As duas cidades são as bases de campanhas pela redivisão do Pará nas suas partes sul e oeste, pela criação dos Estados do Tapajós e de Carajás.

 

Um dos fatores que influiu na derrota de Helder para Simão Jatene, no 2º turno da eleição de 2014 (depois da sua vitória no 1º turno), foi a campanha do PSDB atribuindo-lhe a intenção de fracionar o Pará, dono dos segundo maior território da federação.

 

Com a dupla viagem às duas cidades, para a posse simbólica e para a instalação de sua administração interiorizada (fazendo-o percorrer mais 28 municípios em três meses), Helder talvez pretenda desfazer essa imagem, que o associa a uma traição à integridade do Estado que o elegeu no ano passado.

 

Os críticos entendem que não é isso: sua intenção seria dividir, mas antes montando uma base política com seus aliados. Mesmo que ele prefira manter o Pará com sua atual geografia, o projeto político seria o mais importante. Com Carajás e o Tapajós independentes ou subordinados ao Pará, em ambos se firmaria o controle dos Barbalho. Mas só o futuro responderá a essas dúvidas.

 

Na sua avaliação, a Temple ressalta que Helder já fez sete viagens oficiais a Brasília, aproveitando-se da experiência que acumulou na capital federal como ministro dos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

 

Um tema recorrente nessas viagens foi a regulamentação ou mesmo a extinção da Lei Kandir. Helder atuou como porta-voz sobre o tema do Fórum de Governadores. Sua posição é praticamente a mesma dos seus antecessores, nada acrescentando às reivindicações e intenções, que se frustraram nas duas décadas de vigência da lei de desoneração das exportações de matérias primas e produtos semielaborados.

 

A ênfase do governador em ações colegiadas e em inovações não se estendeu a essa questão, de importância crucial para o Estado. Seu silêncio em relação ao rearranjo da produção mineral da Vale contrasta com o alarde das suas respostas imediatas a problemas e questões. Seu espírito democrático não parece ultrapassar os limites de debates controlados, sob seu domínio.

 

A própria imprensa, que antes se dividia em relação ao governo, agora se mantém coesa no apoio a ele, mesmo sendo um apoio oneroso aos cofres públicos. Nessa instância, como em quase todas as que têm significado institucional, a crítica está desaparecendo. Esse adesismo pode criar uma lacuna quando, aos 100 dias atuais, se acrescentarem outras centenas.

 

Como se sabe, não há democracia que valha a pena sem o ruído da crítica.


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