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Inflação à espreita

Lúcio Flávio Pinto - 24/03/2019

A dramática (e, talvez, trágica) novela da reforma da previdência social, as imprevidentes declarações dos Bolsonaro pela internet e as prisões de homens de colarinhos brancos, chefiados pelo ex-presidente Michel Temer, desviaram a opinião pública de um fato econômico de extrema gravidade.

 

Na terça-feira passada, a Fundação Getúlio Vargas anunciou que o Índice Geral de Preços-Mercado subiu 1,06% no segundo decêndio de março. Quase o dobro do que foi registrado no mesmo período de fevereiro: 0,55%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, o mais importante dos componentes do indicador (representa 60% da base de cálculo), foi o que mais contribuiu para a alta, dobrando de 0,73% para 1,41%.

 

O principal responsável pelo aumento dos preços dos bens finais foi o subgrupo combustíveis. Sua aceleração foi fulminante: passou de -0,83% para 7,41%. A elevação dos preços dos bens Intermediários foi de -0,29% em fevereiro para 0,70% neste mês.

 

Apesar do panorama anunciar o perigo de crescimento da inflação, pela elevação dos custos de produção, mesmo com a economia estagnada, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter em 6,50% a taxa básica de juros, a Selic.

 

Foi a oitava manutenção da taxa, a primeira da gestão do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O neto do ex-todo-poderoso ministro do regime militar já anunciou que tentará manter a inflação baixa e controlada, por meio da atual taxa de juros. A diretriz atrai críticas dos que temem o seu custo, mas só seguirá em frente com um governo dotado de credibilidade, respeito, competência e unidade. É um governo que o Brasil não tem agora – nem nunca?


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