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Imerys polui Barcarena

Lúcio Flávio Pinto - 16/03/2019

A empresa Imerys lançou efluentes, do processo de beneficiamento de caulim nos igarapés Dendê e Curuperê em Barcarena, potencialmente perigosos e capazes de causar danos ao ecossistema aquático e à vida.

 

Uma equipe de técnicos da Seção de Meio Ambiente do Instituto Evandro Chagas, que esteve no local e ontem divulgou um comunicado a respeito, avaliou preliminarmente os impactos ambientais e possíveis riscos à saúde humana a partir desse despejo.

 

Os técnicos percorreram a área nos dias 9, 13 e 14 deste mês, enviando uma nota técnica ao Ministério Público Federal, um dos autores do pedido de inspeção, juntamente com o Ministério Público Estadual, Delegacia Estadual de Meio Ambiente e Instituto Médico Legal Renato Chaves.

 

Durante a avaliação, foram evidenciados despejos de caulim diretamente nos dois igarapés, a partir de tubulações provenientes da Imerys. Os técnicos verificaram “evidência de lançamento de efluentes de coloração branca diretamente no igarapé Dendê, próximo às comunidades do Curuperê, Canaã e Maricá”.

 

Foi também identificada “tubulação aparente ao lado de bacias de resíduos” e, em canal antigo, “evidências de lançamento recente de efluentes de coloração branca diretamente no igarapé Dendê na área atrás de região residencial e de recreação do Bairro Industrial”, relatam os técnicos do IEC.

 

A nota técnica conclui que, “há pelo menos uma semana, os igarapés Curuperê e Dendê vêm sendo impactados por efluentes do processo de beneficiamento do caulim, com mudanças significativas na coloração das águas e foram evidenciados pelo menos dois pontos de lançamentos, um em cada igarapé”.

 

O documento recomenda ainda que, até que os eventos sejam melhor esclarecidos, as seis comunidades atingidas “não devem usar as águas desses igarapés”.

 

Anuncia ainda que “medidas emergenciais deverão ser tomadas pelos órgãos competentes no sentido de garantir acesso dessas comunidades à água potável, alimento e renda, considerando os possíveis riscos de exposição a contaminantes químicos provenientes desses efluentes do processo de beneficiamento do caulim”.

 

 Estudos prévios realizados pelo instituto “mostraram que esses efluentes são potencialmente perigosos e causam danos ao ecossistema aquático e à vida”.

 

Durante a avaliação, foram coletadas amostras de águas superficiais, efluentes e sedimentos/solo em ambos os igarapés. As amostras estão sendo analisadas e os resultados serão emitidos em até 30 dias.


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