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Pobre futebol paraense

Lúcio Flávio Pinto - 10/01/2019

Governador Helder Barbalho visitou as instalações do estádio Mangueirão -

A situação do futebol paraense já é melancólica por si mesma. Agora consegue a façanha de ficar pior. A principal praça da competição, o estádio Edgar Proença, de propriedade do governo estadual, foi interditado, ontem. Os bombeiros prometeram entregar um laudo técnico sobre as condições do prédio em 10 dias.

Nesse mesmo dia 20, deveria ser realizada a partida entre Remo e Tapajós, com cinco mil ingressos já vendidos. Temporariamente, o jogo foi transferido para o dia 27, se a visão irrealisticamente otimista dos dirigentes do clube for verdadeira. Provavelmente, não é. O mais provável é que o Mangueirão, com capacidade para quase 50 mil espectadores, fique fechado por muito tempo.

A imprensa diz que a causa das apreensões é um bloco de reboco que caiu de uma das coberturas das arquibancadas. Pelo tamanho do bloco, porém, parece mais provável que uma parte da laje tenha despencado. É previsível que as quedas se repitam. Nesse caso, o problema é estrutural, muito mais grave.

Não foi uma ocorrência feliz para a história do Mangueirão, que, no ano passado, completou 40 anos de vida. Mas foi um resultado coerente com o abandono do estádio pelo seu proprietário, o governo do Estado. Em agosto do ano passado os bombeiros emitiram um laudo alertando para as precárias condições do estádio, lembrou o governador Jader Barbalho a O Liberal, na visita que fez ao Mangueirão, ontem à tarde.

O estádio foi deixado ao léu, entregue às intempéries do tempo e do espaço, mesmo sendo o local sagrado do futebol, o mais popular esporte do Pará, do Brasil e do mundo. A administração Simão Jatene preferiu investir na vizinhança, no Mangueirinho (arena Guilherme Paraense). Gastou quase 100 milhões de reais na construção de um dos mais modernos ginásios poliesportivos do Brasil, um dos cinco únicos totalmente climatizados, com capacidade para quase 20 mil pessoas sentadas.

Em tese, para abrigar qualquer tipo de competição e estimular o amadorismo, exceto, naturalmente, o nobre (pobre entre nós) esporte bretão. Na verdade, porém, para ser palco de espetáculos musicais de massa, como o de Anitta, o primeiro, caça níqueis de certo empresariado, com capacidade de pagar o caríssimo aluguel. Uma visão elitista e dirigida a parceiros, mais uma ação entre amigos.

Castigo para o futebol paraense, que já foi um dos melhores do país. Castigo injusto para o fiel e fanático torcedor, justo para os cartolas, em particular, os dirigentes do Clube do Remo. Entre outras façanhas negativas, levaram o estádio de futebol do clube, o Baenão, à ruína. E quase conseguem esse resultado com a falência da agremiação, palco de roubo inexplicável (até hoje) e, mais recentemente, tiroteio na sede social.


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