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Falta de infraestrutura e queda nas vendas marcam rotina de feirantes no mercado Tupauilândia

Weldon Luciano - 11/10/2018

A feirante Nilde Pessoa reclama da baixa venda após remoção para área do mercado Tupaiulândia -

Instalados desde o dia 12 de setembro deste ano no Mercado Tupaiulândia, os feirantes que foram removidos do tablado, que funcionava na orla de Santarém, ainda enfrentam grandes problemas com a falta de infraestrutura do local. Com boa parte do piso inacabado, muitos deles convivem com lama, poeira e mercadorias armazenadas no chão, além da queda nas vendas que tem atingindo boa parte dos vendedores, alguns ameaçam sair do local caso a situação não melhore. De acordo com a Associação de Feirante, há um acordo com a prefeitura para que sejam feitas obras de melhorias, mas até o momento nada saiu do papel.

Dorismar Santos, presidente da Associação dos feirantes, ressalta ainda que houve um acordo entre a associação e a prefeitura para que fosse encaminhada algumas melhorias, como a conclusão do piso, que deve ser aterrado e receber uma camada de cimento. “A prefeitura deveria entrar com a mão de obra e os feirantes com o material, mas até o momento a obra não saiu do papel”, diz o presidente.  

Enquanto a infraestrutura prometida não vem, os feirantes se viram como podem. Mas, o que vemos é muita poeira, lama e mercadorias armazenadas de forma improvisada. Outra reclamação é a queda nas vendas. Quem vende frutas ou hortaliças não tem enfrentado tantas dificuldades, mas que trabalha com a venda de farinha, piracuí e milho tem se queixado de que não consegue vender como antes. Outros vendedores afetados são aqueles que trabalham com lanches ou refeições.  

“Em relação as vendas, as barracas que trabalham com lanches de produtos regionais, como a tapioquinha, a gente percebe que as vendas caíram muito porque elas vendiam para os ribeirinhos, pessoas que vinham das comunidades, ficavam nos barcos e faziam suas refeições no tablado. O cliente ribeirinho não tem como vir até aqui e as pessoas do entorno do mercado ainda não se habituaram a vir comer aqui”, diz Dorismar Santos

Para Valdo Borges, que estava acostumado a vender 5 sacos de farinha por dia, agora tenta sobreviver com um movimento bem menor. Ele alega que não consegue vender mais que 2 sacos por dia. “Minhas vendas caíram muito, não é a mesma coisa de quando a gente vendia no tablado. A venda da farinha, da tapioca e do piracuí, ainda estão longe do ideal. A maioria do pessoal que comprava com a gente não veio ainda por aqui. Minha venda de milho que tinha uma boa saída para o pessoal do interior acabou ficando um pouco parada porque eles não vêm por aqui. Bem que consegui avisar da mudança e distribuir cartão, mas nem todos atenderam ao nosso chamado. Não está fácil vender nossos produtos e se continuar assim corre o risco de a gente parar as nossas atividades”

Outra feirante que também tem sentido a queda nas vendas foi Nilda Pessoa. Ela alega que tem tentando adaptar as vendas e os produtos para agradar o novo público. “As vendas estão bem devagar, mas a gente vai indo. Aos poucos vai saindo um produto daqui outro dali e a gente segue. O que mais tem saído é queijo, piracuí e frutas. Mas, a farinha tem saído muito pouco”.

Portal OESTADONET entrou em contato com a Secretaria Municipal e infraestrutura (Seminfra) para saber qual é o posicionamento sobre as questões levantadas pela reportagem, quando a obra de conclusão do piso deve ser iniciada e aguarda resposta.


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